BNDES pode ficar com até 25% de participação nas aéreas

O valor total dos empréstimos pode chegar a R$ 6 bilhões - R$ 2 bilhões para cada companhia

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
14 de maio de 2020 às 18:47
Aviões das companhias aéreas Gol, Latam e Azul estacionados no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (12.jan.2017)
Foto: Nacho Doce/Reuters

BNDES e bancos privados finalizaram o pacote de apoio às empresas áereas. Se as companhias aceitarem, o banco estatal pode acabar se tornando sócio de Latam, Azul e Gol com uma participação entre 20% e 25% no capital.

As propostas foram encaminhadas pelos bancos às empresas do setor, que tem prazo até sexta-feira (14) para responder. O valor total dos empréstimos pode chegar a R$ 6 bilhões - R$ 2 bilhões para cada companhia.

Desse total, o BNDES deve entrar com 60%, o sindicato de bancos - que inclui Bradesco, Itau, Santander e Banco do Brasil - com 10%, enquanto os 30% restantes serão oferecido ao mercado. Serão utilizados dois instrumentos financeiros: 75% do empréstimo via debêntures, que são títulos de dívida, e 25% em bônus de subscrição, que inclui troca por ações. 

Essa foi a forma que o BNDES encontrou de diminuir sua participação nas empresas no final do processo. A oferta inicial previa que todo o empréstimo seria feito por meio de títulos de dívida conversíveis em ações, o que poderia levar o banco a uma fatia superior a 70%.

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Por essa proposta, o valor das ações será decidido no dia da oferta dos papeis ao mercado, ou seja, a preços praticados atualmente que são muito inferiores ao pós-pandemia. As empresas demandavam cotações anteriores à crise do coronavírus.

Na semana que vem, o BNDES e os bancos pretendem enviar o pacote de ajuda às distribuidoras de energia. Neste setor, a ajuda total pode chegar a R$ 18 bilhões, mas o mecanismo é totalmente diferente do que será utilizado para as aéreas.

O empréstimo será feito pelas instituições financeiras à Câmara de Comercialização de Energia de Elétrica (CCE), que repassará o dinheiro para as distribuidoras. Caberá a CCE cobrar os valores diretamente dos consumidores ao longo do tempo - um mecanismo que já foi utilizado no passado. 

Outros setores cujas negociações estão avançadas são o automotivo e o varejo não alimentício. No setor automotivo, as negociações estão sendo feitas individualmente com cerca de 16 montadoras. O nó continua sendo as garantias - o setor quer oferecer créditos tributários, enquanto os bancos insistem que as matrizes das empresas assumam o risco da dívida.

O BNDES também estuda apoio ao setor de turismo e de etanol, mas são empresas menores, que não devem entrar nesses empréstimos sindicalizados com grandes bancos. Procurado, o BNDES não comentou.