Após sessão volátil, Bolsa fecha em alta, na esteira de índices de Wall Street

Índice de NY avançaram nesta quinta-feira quando os investidores avaliaram a perspectiva de recuperação econômica contra comentários de Trump

Do CNN Business*, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 10:16 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 18:20
Funcionário caminha pelos corredores da B3
Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

Após sessão volátil, a Bolsa brasileira terminou em alta, na esteira de índices de Wall Street. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa registrou avanço de 1,59%, a 79.010,81 pontos, perto da máxima da sessão (78.891,74 pontos). No pior momento, tocou os 75.696,95 pontos. 

A bolsa fechou com agentes financeiros na expectativa de uma bateria de resultados corporativos ainda nesta noite, entre eles o da Petrobras, após repercutir balanços conhecidos entre a noite da véspera e a manhã desta quinta-feira.

Wall Street também mostrou volatilidade, encerrando com o S&P 500 em alta de 1,15%, embora persistam receios de uma fraqueza por um período maior, com a tensão comercial EUA-China voltando ao radar.

No horizonte dos investidores, também estiveram os riscos econômicos e políticos causados pela Covid-19, o que explica a sessão volátil. "O Ibovespa está refletindo as preocupações dos investidores com cenário externo, impacto da pandemia na atividade econômica após pedidos de seguro-desemprego acima do esperado nos EUA e o presidente Donald Trump acirrar a retórica contra a China", afirmou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que está muito decepcionado com a China pelo que afirma ser a incapacidade do país asiático de conter o novo coronavírus e voltou a dizer que não tem interesse em renegociar o acordo comercial.

Da agenda macroeconômica, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA totalizaram 2,981 milhões em dados ajustados sazonalmente na semana encerrada em 9 de maio. Economistas consultados pela Reuters projetavam 2,5 milhões.

Na visão do estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, os ativos de risco estão passando por mais um momento de instabilidade, movimento que ele vê como normal e até esperado, após a rápida e acentuada recuperação verificada em abril. Na bolsa paulista, o Ibovespa valorizou-se 10,25% no mês passado.

Kawa avalia que o mercado deve permanecer volátil, dada a incerteza em relação a retomada econômica, novos atritos entre EUA e China, dificuldade do Ocidente em reabrir em meio a um 'novo normal', entre outros fatores.

Para a equipe da Guide Investimentos, investidores continuam reavaliando o nível de preços alcançado após recuperação de abril contra os riscos presentes no cenário econômico, com as atenções no Brasil também voltadas para questões políticas.

Para o estrategista Odair Abate, da Panamby Capital, o cenário está bem complicado para o mercado brasileiro e só deve começar a se dissipar a partir do enfraquecimento da pandemia.

Lá fora

Wall Street avançou nesta quinta-feira, com investidores avaliando a perspectiva de recuperação econômica ante comentários bélicos do presidente Donald Trump sobre as relações comerciais entre Estados Unidos e China e graves alertas sobre a resposta dos EUA à pandemia do coronavírus.

Embora todos os três principais índices acionários norte-americanos tenham encerrado a sessão no azul, eles mostraram volatilidade durante boa parte do dia, com a reabertura das economias estaduais e a possibilidade de estímulos adicionais se contrapondo a temores da retomada de uma guerra comercial e a dados econômicos sombrios.

O Dow Jones subiu 1,62%, terminando em 23.625,34 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 1,15%, para 2.852,5 pontos. O Nasdaq avançou 0,91%, para 8.943,72 pontos.

Na Europa, uma onda de vendas atingiu as ações, em meio a temores dos investidores sobre uma desaceleração econômica prolongada devido à pandemia de coronavírus, levando os bancos da zona do euro a mínimas históricas durante a sessão.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 2,11%, a 1.279 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600  perdeu 2,17%, a 327 pontos, atingindo seu nível mais baixo desde 22 de abril.

Depois de se recuperar acentuadamente de uma mínima de meados de março com a ajuda de medidas maciças de estímulo, o STOXX 600 acumula queda de cerca de 4% em maio devido a preocupações em relação à possibilidade de um abrandamento precoce dos bloqueios por certos países causar uma segunda onda de infecções.

Nas principais bolsas da Ásia, os índices acionários fecharam em baixa nesta quinta-feira (14), enquanto os investidores aguardam mais políticas de estímulo para aliviar o impacto do Covid-19 na região. Na China, o índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,8%, enquanto o índice de Xangai teve recuo de 0,96%.

De acordo com artigo do ministro das finanças chinês, Liu Kun, publicado no jornal oficial Diário do Povo desta quinta-feira (14), a China precisa de mais políticas fiscais ativas, uma vez que a pressão sobre sua economia ainda está aumentando.

*Com informações da Reuters