Oito de treze indicadores de infraestrutura apresentam queda em março

Números negativos no primeiro mês da pandemia no Brasil chegaram a influenciar até mesmo os resultados trimestrais

André Jankavski do CNN Brasil Business, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 09:38 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 11:47
Transporte aéreo foi um dos que mais tiveram redução no mês de março, o que causou uma redução no acumulado do trimestre
Foto: Dominik Scythe/Unsplash

Os primeiros dados sobre os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus começam a aparecer. E mesmo a Covid-19 tendo aparecido com mais força somente na segunda quinzena de março, o impacto na área de infraestrutura foi grande no primeiro trimestre. Segundo um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria, obtido em primeira mão pelo CNN Business, os indicadores do setor apresentaram retração no mês de março, o que impactou os dados do primeiro trimestre.

A movimentação de passageiros pagos nos aeroportos, por exemplo, teve queda de 37% em março em comparação ao mesmo período de 2019. No trimestre, a redução foi de 11%, mostrando que as companhias aéreas poderão apresentar resultados bem complicados para os seus investidores – a Azul divulga o balanço do primeiro trimestre nesta quinta-feira (14).

“Apesar de as medidas de isolamento estarem ainda nos seus primeiros dias, em março, os indicadores de demanda sobre a infraestrutura para o mês já apontavam redução da atividade econômica, também devido ao impacto da pandemia no comércio mundial”, analisa o gerente-executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso.

Porém, não foram somente as companhias aéreas que sentiram o impacto. A movimentação de carga ferroviária, com exceção do transporte de minério de ferro, caiu 31% na comparação mês a mês. No trimestre, a redução também foi considerável: queda de 12%. O transporte de minério teve redução de 10% no mês a mês e 20% de janeiro a março.

O consumo interno de petróleo, por sua vez, teve uma queda de 22% em março em relação a fevereiro. Nos três primeiros meses do ano, contudo, houve um aumento de 3% em número de barris.

Além deles, também tiveram destaque negativo na comparação mensal a carga transportada por aviões (-13%), a oferta nacional de gás natural (-12%), consumo comercial de energia (-3%) e de acessos à internet móvel (-1%).

Segundo o estudo, com o agravamento da pandemia no mês de abril e em maio, é possível esperar retrações ainda maiores no segundo trimestre. A CNI defende que o governo anuncie com urgências medidas para atenuar os efeitos negativos para as empresas e para a sociedade.

Os sobreviventes

Entre os oito segmentos que conseguiram ter uma sobrevida no primeiro trimestre, o maior destaque ficou com a cabotagem, com uma alta de 19% na comparação mensal e crescimento de 10% no trimestre.

O dado foi influenciado pelo crescimento do comércio exterior ao se considerar o transporte de milhões toneladas – alta de 5% em março. No entanto, houve uma redução no trimestre: queda 7%.

Além deles, o acesso à internet por rede fixa (4%), puxado pelo maior tempo das pessoas em casa devido à quarentena, e o consumo de energia residencial (1%) e industrial (1%) também tiveram variações positivas.