Aéreas podem perder mais de US$ 314 bi por causa do novo coronavírus

Pandemia da Covid-19 impede mais de 15 mil aviões de voar diariamente em todo o mundo

Renan de Souza, da CNN em São Paulo
17 de maio de 2020 às 05:25


O setor aéreo, uma indústria bilionária, é um dos setores mais afetados pela Covid-19 no mundo. A pandemia vem impedindo mais de 15 mil aviões de voar diariamente em todo o mundo. A Associação Internacional das Companhias Aéreas (IATA na sigla em inglês) estima que o prejuízo ao setor possa passar de US$ 314 bilhões esse ano. Além disso, mais de 25 milhões de empregos diretos e indiretos estão ameaçados.

Com aeroportos vazios e aeronaves no chão, companhias aéreas estão à beira do colapso. Um exemplo disso é a South African Airways, que pode desaparecer depois de 86 anos. O governo da África do Sul, que administra a empresa, negou ajuda financeira à companhia que já vinha sofrendo prejuízos desde antes da pandemia. Na América Latina, a Avianca, uma das mais antigas do mundo, entrou com pedido de falência depois de não receber auxílio financeiro do governo da Colômbia.

Mundo afora, a situação se repete. No Reino Unido, a British Airways clama por socorro do governo britânico depois de perder 535 milhões de euros no primeiro trimestre. Mesma situação enfrentada pelo Grupo Virgin, que é administrado pelo bilionário Richard Branson.

Esses clamores não amoleceram o coração nem abriram os cofres do governo britânico, que tem sido crítico a esses apelos. Em vários países, o argumento é o mesmo: as companhias já lucraram muito no passado e não seria justo usar dinheiro público para salvá-las durante uma pandemia. Portanto, deveriam procurar alternativas como aumentar a liquidez, se desfazer de ativos ou procurar investimento privado.

Para a enfrentar esse cenário de crise econômica no setor da aviação, as companhias aéreas vão ter que mudar radicalmente. Se antes a idea era maximizar a capacidade dos aviões, agora, elas terão que fazer, exatamente, o contrário. Essa mudança deve começar pelo assento do meio que, provavelmente, vai ficar vazio por um bom tempo. Apesar disso, essas medidas estão longe de trazer lucro para as empresas.

Para o CEO da IATA, Alexandre de Juniac, os preços das passagens aéreas vão ter que subir. “Nessas condições, não há empresa que seja capaz de voar e ganhar dinheiro. Então, isso significa duas coisas. Os preços vão ter que subir de 50% a 100%. E é o fim das viagens baratas para todo mundo”, disse ele.

As companhias aéreas estão adotando medidas para enfrentar esse cenário. Em algumas, máscaras passaram a ser um item obrigatório para os passageiros e funcionários. Na companhia aérea Emirates, a mala de cabine será limitada apenas a itens essenciais. Revistas de bordo também serão removidas da aeronave por precaução. Além disso, a checagem de temperatura já é obrigatória em alguns aeroportos mundo afora.

Uma empresa italiana que cria o design de cabine de aviões fez para CNN uma projeção de como deve ser o futuro da aviação. Divisórias poderiam ser colocadas entre os assentos,

criando uma barreira entre os passageiros para aumentar o isolamento. Em uma mudança mais extrema, o assento do meio seria virado ao contrário para reduzir ao mínimo o contato entre os viajantes.

Por enquanto, a única certeza é que a indústria da aviação vai reabrir e tomar os céus de novo. Porém, para os passageiros, a experiência de voar pode nunca mais ser como antes da pandemia do novo coronavírus.