Agenda de auxílios econômicos vai durar apenas 4 meses, diz Adolfo Sachsida

Em entrevista para a CNN, secretário de Política Econômica disse que o Ministério da Economia pretende modificar programas sociais

Da CNN, em São Paulo
18 de maio de 2020 às 20:42

A crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus fez com que o Ministério da Economia mudasse o foco de sua atuação, deixando de lado as reformas estruturais planejadas, como a tributária e administrativa, e focando em programas de auxílio de renda. No entanto, para o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, esta agenda emergencial tem prazo de validade, e ficará restrita a 2020.

“Dado o tremendo choque internacional, tivemos que redirecionar esforços para levar dinheiro para a saúde e salvar empregos. Porém, esta agenda vai durar 4 meses. Não pensamos em renovar o auxílio emergencial, cujo gasto em um mês representa um ano de Bolsa Família”, diz Sachsida, que afirmou que após o período turbulento, o governo voltará a insistir na “maior competição, mais abertura econômica e mais setor privado.”

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O secretário de Política Econômica também criticou os atuais programas sociais do Brasil, dizendo que eles tiram dinheiro do trabalhador para dar ao “ricão”. Questionado sobre quais programas a equipe econômica pensa em modificar, Sachsida disse que não é a hora de discutir o assunto.

“Após a pandemia, nós, junto com o Ministério da Cidadania, pensamos em focalizar melhor os programas, mas não quero citar as ações pois não é o momento. Porém, é normal custar R$ 2.000 para tirar carteira de motorista? Temos que ir atrás destes tipos de legislações”.

Ele ainda justificou o uso do BNDES para ajudar empresas na pandemia, e disse que o uso do banco de desenvolvimento neste momento difere daquele do período petista, pois os auxílios que estão sendo feitos durante a pandemia serão “transitórios e terminarão até o final do ano”.

Sobre a discussão sobre o congelamento de reajuste do salário de servidores públicos, Sachsida disse que “todos devem contribuir” e que, apesar de 2020 ser um “ano difícil”, será usado para “lançar as bases para um 2021 com sólido crescimento econômico.”