Dólar cai mais de 1%, a R$ 5,69, menor patamar em duas semanas

Dia foi de maior otimismo com as operações locais captando o bom humor externo com esperanças de estímulos e de reabertura das economias

Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
20 de maio de 2020 às 09:17 | Atualizado 20 de maio de 2020 às 18:11
Dólar tem semana instável, acompanhando a volatilidade do mercado (14.out.2015)
Foto: Guadalupe Pardo/Reuters 

O dólar fechou em queda de mais de 1% ante o real nesta quarta-feira (20), no menor patamar em duas semanas. Em um dia de maior apetite por risco no exterior, e em sintonia com outras divisas emergentes, a moeda norte-americana caiu 1,23%, a R$ 5,6902 na venda, mínima desde o último dia 5 (R$ 5,5902).

A valorização do real acompanhou o movimento de outras moedas emergentes ou ligadas a commodities, como dólar australiano, peso mexicano e rand sul-africano. O dia foi de maior otimismo com as operações locais captando o bom humor externo com esperanças de estímulos e de reabertura das economias.

No exterior, um índice do dólar contra uma cesta de moedas cedia 0,36%. Em Wall Street, os índices S&P 500 e Nasdaq bateram máximas em vários meses, com investidores confiantes em mais estímulos pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos).

Na ata da última reunião de política monetária do Fed, divulgada nesta quarta-feira, os membros do BC norte-americano prometeram agir conforme apropriado para dar apoio à economia. O Fed já anunciou trilhões de dólares em medidas sem precedentes nesta crise a fim de amparar o sistema financeiro, a economia e amenizar problemas no mercado de financiamento em dólares.

"Os EUA, além dos programas de alívio quantitativo e política monetária, ainda que juros negativos estejam descartados, podem adotar medidas fiscais ainda maiores de modo a dirimir os efeitos da crise viral", disse em nota a Infinity Asset.

O Banco Central (BC) ofertou nesta quarta-feira até 12 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em setembro de 2020 e fevereiro de 2021 para fins de rolagem.

Futuro da cotação 

Embora o real tenha seguido a toada externa, ainda registrou desempenho aquém de vários de seus rivais emergentes mais próximos. O dólar está 3,58% abaixo do recorde histórico nominal para um fechamento alcançado em 13 de maio (R$ 5,9012), mas para Felipe Pellegrini, gerente de tesouraria do Travelex Bank, ainda é "muito cedo" para se falar em reversão de tendência de alta.

Pellegrini cita, entre os fatores, a incerteza sobre o andamento da crise de saúde pública no Brasil. "Estamos com os números (de mortes e casos de coronavírus) nas máximas, mas não sabemos se isso é o pico ainda", disse.

A leitura é que, quanto mais demorar para achatar a curva de casos e mortes no Brasil, mais tempo a economia levará para se recuperar. Pellegrini calcula que o dólar deverá operar num intervalo entre R$ 5,40 e R$ 5,80 reais ao longo deste ano. "Mas, no curto prazo, é possível que cheguemos aos R$ 6,20", afirmou.

A taxa de R$ 6,20 também é esperada pelo Credit Suisse no curto prazo. O banco disse não estar pronto para "jogar a toalha" sobre estratégia de preterir o real ante outras divisas emergentes, já que o mantém na lista de divisas fiscal ou politicamente expostas, e classificou a moeda brasileira como "tóxica".

Evidência da incerteza do investidor com o câmbio, a volatilidade implícita das opções de dólar sobre o real para três meses segue como a mais alta entre as principais divisas emergentes, bem acima de 20% e perto dos picos do ano.

"Estão todos esperando a decisão do (ministro do STF) Celso de Mello sobre o vídeo da reunião ministerial. Dependendo do teor desse vídeo podemos ter uma guinada para cima ou para baixo (no dólar)", disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Arbetman se referiu a um vídeo apontado como importante prova dentro do inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no comando da Polícia Federal. Celso de Mello, relator do caso, vai decidir se divulga o vídeo da reunião ministerial.

Em termos nominais, o real cai 29,48% ante o dólar neste ano, pior desempenho global. Já a taxa efetiva real de câmbio do real recua 19,91% até abril (segundo últimos dados disponíveis), para o menor patamar desde novembro de 2004, conforme números do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) atualizados nesta quarta-feira.

*Com informações da Reuters

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook