As dicas da gestora de Lemann para os negócios atravessarem a crise


Luísa Melo, do CNN Brasil Business, em São Paulo
21 de maio de 2020 às 11:37 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 11:31
O empresário Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil

Gestora de Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, Constellation administra R$ 10 bilhões em investimentos

Foto: Divulgação

Rever despesas sem fazer demissões generalizadas, aproveitar oportunidades de contratar e comprar concorrentes e, em primeiro lugar, cuidar da saúde (inclusive emocional) dos funcionários e de suas famílias. Essas são as recomendações da gestora Constellation, que tem Jorge Paulo Lemann como sócio, para os clientes atravessarem a crise.

Em carta assinada por Florian Bartunek, sócio-fundador e presidente, a casa diz que realizou quase 500 reuniões virtuais nas últimas semanas para entender as perspectivas de negócios das empresas e identificar as melhores práticas durante a pandemia. A asset administra R$ 10 bilhões em investimentos.

A primeira dica, é claro, é preservar a saúde dos funcionários e de suas famílias. "O desgaste emocional está sendo grande para todos e estar realmente presente nestes momentos é fundamental. Seja transparente, mostre empatia", afirma.

Ainda no âmbito da relação com os empregados, Bartunek destaca que o momento é interessante para rever a estrutura de despesas, mas que cortes generalizados devem ser evitados. 

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"Recorde-se de que gente é o maior ativo de sua companhia e do tempo que levou para encontrar e depois treinar seus profissionais", diz. Ele recomenda ainda que as empresas evitem perder os trabalhadores de alto potencial e que a alta gestão diminua sua remuneração na crise. "Nada mais justo."

Empresas como Magazine Luiza e Heineken, por exemplo, se comprometeram a não fazer demissões em massa durante a pandemia e reduziram os pagamentos aos executivos.

Para manter a equipe motivada à distância neste momento de incertezas, Bartunek diz que, primeiro, é essencial respeitar o espaço e as vivências de cada um. "Cada profissional tem a sua própria visão sobre a doença, uns têm mais medo, outros menos; uns já pegaram, outros não; uns são do grupo de risco, outros não", lembra. Depois, a dica é estabelecer objetivos a serem cumpridos. "A melhor maneira de melhorar a performance é dar um senso de missão para as pessoas." 

O investidor ressalta ainda que, durante a turbulência, gestores "ficam aflitos" para tomar decisões, mas que é preciso manter o foco no que é essencial. "Ouça todos, mas resista a mudar muita coisa ou sobrecarregar seu time com novas demandas não importantes", recomenda.


Garanta liquidez e tenha calma


A Constellation pontua que todos os empresários e investidores estão com dúvidas para planejar os próximos trimestres, diante da falta de clareza sobre como a crise vai evoluir e da fraqueza da economia e da alta do desemprego, que certamente virão no futuro. 

Nesse sentido, a gestora afirma que garantir a liquidez neste momento é fundamental e que decisões sobre o rumo dos negócios devem ser tomadas com calma.

"Não acreditamos que tudo será diferente. Um produto ou serviço excelente a um preço justo sempre será demandado. As grandes necessidades dos consumidores continuarão as mesmas. Não ter visibilidade não significa se apavorar e tomar decisões impensadas", pontua.

Bartunek cita também a aceleração na adoção de tendências como o comércio eletrônico e afirma que a disrupção vai aumentar.

Para as empresas que têm uma posição confortável em caixa, a Constellation aponta que o momento é propício para aquisições, tanto de companhias concorrentes, quanto de talentos. 

E aconselha ainda aos que tiverem recursos que não abandonem as estratégias de marketing e as boas práticas ambientais, sociais e de governança. "A forma como você tratará seus fornecedores, clientes, meio-ambiente, colaboradores e a comunidade neste momento será lembrada por muito tempo. A antiga fórmula de 'trate os outros como gostaria de ser tratado' nunca foi tão relevante".

A mensagem final da gestrora é: "não sacrifique o longo-prazo para satisfazer investidores no curto-prazo". 

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