Dólar futuro para de subir e vai às mínimas da sessão após liberação de vídeo


Reuters
22 de maio de 2020 às 18:02 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 18:17
Notas de dólar

No mercado interbancário, o dólar à vista caiu 0,15%, a R$ 5,5739 nesta sexta

Foto: Chance Agrella/Freerange Stock

O dólar futuro virou e passou a operar em queda contra o real nas negociações na B3 nesta sexta-feira (22), com operadores avaliando que os trechos divulgados do vídeo de reunião ministerial não satisfazem as expectativas mais receosas até então.

Às 17h26, o dólar futuro de primeiro vencimento (DOLc1) tinha queda de 0,57%, a R$ 5,5255, após subir 0,53%, a R$ 5,5995, às 17h06, pouco depois da decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de permitir a divulgação, com exclusão de alguns trechos, do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril.

Segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o vídeo provaria que o presidente Jair Bolsonaro teria tentado interferir no comando da Polícia Federal.

Os negócios com dólar futuro na B3 vão até as 18h (de Brasília). No mercado interbancário, em que as operações se encerram às 17h, o dólar à vista caiu 0,15%, a R$ 5,5739.

"Havia uma expectativa muito forte em cima disso (do vídeo). E, até agora, nada (que comprometa o presidente)", disse um gestor sob condição de anonimato. "Acho até que ele pode ganhar popularidade", completou.

Ao longo da tarde, em meio a alguma tensão antes da decisão do ministro Celso de Mello, o mercado chegou a piorar o sinal após divulgação de nota oficial pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, que classificou de inconcebível o pedido de apreensão do celular de Bolsonaro em notícia-crime no inquérito que analisa a suposta interferência do presidente na Polícia Federal.

Heleno afirmou que a decisão sobre a solicitação pode ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional.  

Atuação do BC alivia pressão

Na semana, o dólar à vista cedeu 4,54%. O alívio ocorreu pela combinação de maior otimismo nos mercados globais sobre reabertura das economias após o Covid-19 e por declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, garantindo maior suporte ao câmbio se necessário.

Na quarta-feira, Campos Neto afirmou que a autarquia tem espaço amplo para a venda de reservas internacionais e poderá aumentar sua atuação no câmbio se considerar necessário. A declaração ajudou na queda do dólar na quinta-feira.  

Para o Citi, essas foram alguns dos comentários "mais fortes" de Campos Neto sobre câmbio desde o começo da pandemia.

"Se os comentários forem apoiados por uma intervenção adicional, o real deve operar com desempenho melhor que seus pares nos próximos dias", disse o banco em nota.

Em live nesta sexta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, disse que o BC avalia ter as ferramentas necessárias para intervir no mercado em caso de disfuncionalidades via swaps, reservas e linhas e não considera ser necessário outro instrumento para tanto. 

Também nesta sexta, o BC vendeu todos os 12 mil contratos de swap cambial tradicional ofertados em operação de rolagem do vencimento julho.