Dólar fecha em queda após sessão volátil, com mercado de olho na cena política

Nas duas sessões anteriores a moeda americana caiu mais de 1%, com o BC brasileiro afirmando que poderia continuar intervindo no mercado de câmbio

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
22 de maio de 2020 às 09:15 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 18:33
Moeda americana opera na casa dos R$ 5,55
Foto: Gary Cameron/Reuters

O dólar fechou em leve queda nesta sexta-feira (22), longe das mínimas do dia, em dia marcado por cautela no exterior e pela expectativa de decisão do ministro do STF Celso de Mello envolvendo o presidente Jair Bolsonaro no Brasil. 

A moeda norte-americana encerrou a sessão em queda de 0,15%, vendida a R$ 5,5739, após oscilar entre altas e baixas durante as negociações. Na semana, o dólar à vista cedeu 4,54%.

No mercado futuro, porém, o dólar tinha firme alta de 0,54%, a R$ 5,5865 na venda, às 17h03.

O clima nos mercados globais foi de cautela nesta sessão, depois que uma legislação da China sobre Hong Kong agravou as tensões entre o país asiático e os Estados Unidos e levantou temores sobre uma volta da guerra comercial.

"Hoje, os receios de um acirramento das tensões geopolíticas impõem cautela nos mercados globais", escreveu Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora, mais cedo. "O receio é que tal decisão (da China sobre Hong Kong) volte a estimular protestos na região e coloque em xeque o acordo 'Fase 1'" entre as duas maiores economias do mundo.

Agravando o sentimento, a China desistiu de sua meta de crescimento anual pela primeira vez nesta sexta-feira, "o que reforçou as preocupações sobre o impacto do coronavírus", disse Ricardo Filho.

No exterior, diante do noticiário preocupante, os investidores fugiram para a segurança do dólar, que subiu contra os principais pares arriscados do real.

Cena local

Enquanto isso, no ambiente local, "contribuiu para a cautela a expectativa em relação à possibilidade de liberação nesta sexta do vídeo da reunião ministerial que está como objeto na investigação de possível interferência de Bolsonaro na PF", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira divulgar a gravação da reunião na qual, segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro cobra-lhe troca na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro sob a ameaça de demiti-lo.

Bolsonaro afirmou na quinta-feira em transmissão por rede social que não seria o caso de tornar público o conteúdo completo do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o que avalia que seria um "constrangimento".

Por outro lado, destacou Luciano Rostagno, "a reunião de Bolsonaro com autoridades do país, incluindo os presidentes da Câmara, do Senado e governadores, com tom mais conciliador adotado por todas as partes, agradou o mercado na véspera e ajudou o real a terminar a semana com ganhos expressivos".

Atuação do BC 

Para Cristiane Fensterseifer, analista de ações da Spiti, também influenciou o comportamento do câmbio nesta sexta o fato de o BC ter dito que está "muito bem preparado" para atuar no mercado, corrigindo distorções.

Em live nesta sexta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, disse que o BC avalia ter as ferramentas necessárias para intervir no mercado em caso de disfuncionalidades via swaps, reservas e linhas e não considera ser necessário outro instrumento para tanto.

Na quarta-feira, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a autarquia tem espaço amplo para a venda de reservas internacionais e poderá aumentar sua atuação no câmbio se considerar necessário. A declaração ajudou na queda do dólar na quinta-feira.

Na véspera, a moeda à vista teve baixa de 1,89%, a R$ 5,5824 na venda, menor patamar desde 4 de maio.

O BC vendeu nesta sexta todos os 12 mil contratos de swap cambial tradicional ofertados em operação de rolagem do vencimento julho.

*Com Reuters