Dólar cai 2%, a R$ 5,45, menor patamar desde abril, com alívio político no país

Real subiu em dia de feriado em Wall Street e diante da avaliação de que vídeo de reunião ministerial não trouxe elementos para impeachment de Bolsonaro

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
25 de maio de 2020 às 09:19 | Atualizado 25 de maio de 2020 às 17:30
Real foi a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar (10.Set.2015)
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O dólar terminou em queda de mais de 2% ante o real nesta segunda-feira (25), com o mercado refletindo um sentimento de alívio, após a avaliação de que o vídeo de uma reunião ministerial, divulgado na sexta-feira (22), não trouxe novos elementos para um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

A moeda norte-americana terminou o dia em baixa de  2,08%, a R$ 5,458, menor patamar desde 30 de abril (R$ 5,438) e a maior desvalorização percentual diária desde 29 de abril (-2,94%).

A queda do dólar neste pregão é a quarta consecutiva, período no qual a divisa cedeu 5,26%. É a maior perda acumulada em quatro sessões desde junho de 2018.

Na última sexta, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu permitir a divulgação do vídeo, com exclusão de apenas dois trechos, da reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril, na qual, segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o presidente teria tentado interferir no comando da Polícia Federal (PF).

A expectativa pela decisão do ministro havia dominado o mercado naquele dia, e o veredicto de Celso de Mello foi conhecido por volta de 17h, quando as operações no mercado de dólar à vista estavam encerrando. O mercado futuro -- que fecha às 18h --, porém, capturou as reações, e os contratos de dólar da B3 chegaram a ceder 0,81%, enquanto o dólar à vista havia fechado em queda de apenas 0,15%.

Portanto, a queda do mercado nesta segunda refletia um ajuste ao movimento do segmento futuro na sessão anterior. Mas mesmo o dólar no mercado futuro ainda perdia fôlego nesta sessão, sinal de que o mercado via menos ruído político daqui para a frente.

"Por não ter nada de novo, tendo a acreditar que não deveria haver um aumento de probabilidade de qualquer cenário de impeachment ou complicação política", disse Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos.

Mas incertezas políticas podem permanecer. "Não obstante, a crise política deve continuar, dessa vez com o foco nas acusações de Paulo Marinho sobre vazamentos da Operação Furna da Onça por um delegado da PF para Flávio Bolsonaro", avaliou a Guide Investimentos.

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, embora o real esteja performando bem nos últimos dias, parte do movimento também decorreu de fatores externos. "O Brasil não virou a sensação de uma hora para a outra. E a redução do risco político de curto prazo não significa que qualquer outro risco que vier será fichinha", alertou.

Analistas do CIBC Capital Markets, braço do Canadian Imperial Bank of Commerce, avaliam que "vazamentos de investigações continuarão sendo prejudiciais" para aqueles com posições compradas em reais.

"Revisamos nossa previsão para a taxa Selic para entre 2,0%-2,25% até o final de 2020. A clara postura dovish (inclinada a queda de juros) do BC (Banco Central), apesar dos maiores riscos fiscais, também deve pressionar o real no curto prazo", disseram em nota. A meta Selic está em 3,00%.

De toda forma, a avaliação sobre o vídeo reduz o risco de curto prazo que vinha impondo ao real o pior desempenho frente a seus pares. Nesta sessão, a moeda brasileira, de longe, liderou os ganhos entre os principais rivais, num dia de dólar fraco contra vários pares emergentes e sem a referência de Wall Street, cujas operações permaneciam fechadas pelo feriado do Memorial Day.

O Banco Central (BC) vendeu nesta segunda-feira todos os US$ 2 bilhões ofertados em leilão de rolagem de linhas de dólares com compromisso de recompra e colocou também o lote integral de 12 mil contratos de swap cambial tradicional, também para rolagem.

*Com informações da Reuters

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