Ibovespa atinge máxima em dois meses com alívio político e otimismo global

Bolsa subiu mais de 4% em sessão marcada pela ausência da referência de Wall Street e com certo alívio após a divulgação do vídeo de reunião ministerial

Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
25 de maio de 2020 às 10:14 | Atualizado 25 de maio de 2020 às 20:39
Funcionário caminha pelos corredores da B3
Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

O Ibovespa fechou em forte alta nesta segunda-feira (25), na máxima em mais de dois meses, em sessão marcada pela ausência da referência de Wall Street por feriado nos EUA e com certo alívio de tensões políticas no Brasil. 

Índice de referência no mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou em alta 4,25%, aos 85.663,48 pontos, maior patamar desde 11 de março. O giro financeiro somou R$ 21,27 bilhões.

"Investidores aproveitaram o feriado nos EUA, a Europa otimista com sinais de retomada e reabertura das economias e adicionaram risco às suas carteiras de investimentos", observou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos.

Entres os destaques de alta, estiveram ações do setor bancário, com Banco do Brasil ON avançando 10,49%, ante especulações sobre uma possível privatização, Itaú Unibanco PN subindo 4,36% e Bradesco PN com valorização de 7,09%. 

O ganho do Ibovespa desta segunda também refletiu a reação positiva dos investidores sobre a divulgação do vídeo da reunião ministerial, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (22). A percepção do mercado é a de que embora o vídeo tenha confirmado as denúncias do ex-ministro Sérgio Moro, não há nada de novo - e que possa dar margem para um pedido de impeachment para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Havia expectativa de o vídeo trazer um cenário pior no que diz respeito às investigações sobre a interferência de Bolsonaro, o que não se confirmou", citou o gestor Marco Tulli, da Necton Investimentos. "Ao mesmo tempo, há um viés positivo no exterior hoje, mesmo com feriado nos EUA."

No final da sessão de sexta-feira, os investidores já haviam avaliado que o os trechos divulgados não são tão prejudiciais ao capital político do governo, quanto o que se havia especulado. Bolsonaro afirmou na reunião ministerial que tem um "sistema particular" de informações que funciona e criticou o sistema oficial ao dizer que "desinforma".

"O foco principal é que a gravação não parece ser vista como uma 'bala de prata' capaz de embasar um processo que custe o mandato presidencial de Bolsonaro", disse Chinchila, da Terra. 

Chinchila ainda ressaltou que alguns ativos se destacaram, com reversão de posições vendidas durante as últimas tensões no mercado causadas pela Covid-19, política e impactos econômicos. "Acreditamos que seja uma reprecificação em algumas empresas, mas para os próximos dias ainda aguardamos alta volatilidade."

Pela análise gráfica do Fernando Goes, da Clear Corretora, o mercado rompeu a máxima do dia 29 de abril (+2,29%, 83.170 pontos), primeira máxima pós Covid-19. Para ele, esse movimento mostra que o mercado caminha para os 90 mil pontos, como esperado.

"Acreditamos que ele possa chegar até próximo de 95 mil pontos, pois no curto prazo já há uma pequena tendência de alta sendo considerada."

Lá fora

No exterior, o afrouxamento das medidas de isolamento ampliou esperanças de uma recuperação econômica, embora as tensões entre EUA e China limitassem o apetite por risco. A Casa Branca afirmou que a proposta de legislação de segurança nacional para Hong Kong pode levar a sanções. Do outro lado, o gigante asiático exige o fim das restrições americanas contra suas empresas de tecnologia.

Apesar disso, os índices acionários chineses fecharam o dia em alta, impulsionados pelos ganhos nas empresas de consumo — já que a China estimula a demanda doméstica na tentativa de manter empregos em meio à pandemia. O índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,14%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,15%. O subíndice do setor de consumo avançou 2,19%, o imobiliário subiu 1,56% e o de saúde cresceu 1,31%. 

Na zona do euro, os índices acionários europeus também terminaram no azul, em dia de baixo volume nesta segunda-feira, e depois que um indicador de confiança empresarial da Alemanha mostrar recuperação em maio. 

O índice alemão DAX subiu 2,9%, para o nível mais alto desde 6 de março, recuperando quase 38% ante a mínima deste ano, impulsionado também por resultados corporativos positivos. Já o índice FTSEurofirst 300 subiu 1,47%, a 1.347 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 1,47%, a 345 pontos.

Pesquisa do Instituto Ifo mostrou que a confiança empresarial alemã se recuperou em maio após forte queda no mês anterior, com a atividade gradualmente voltando ao normal após semanas de restrições devido ao coronavírus. O índice avançou para 79,5 em maio, melhor do que o esperado, de 74,2 em abril.

*Com informações da Reuters

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