Crise afeta mais os negócios liderados pelas mulheres, diz Sebrae

Segundo pesquisa, 52% dos negócios tocados por elas foram afetados “temporariamente” ou “de vez” pela pandemia, contra 47% das empresas chefiadas por homens

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
26 de maio de 2020 às 07:55
Mulheres trabalhando em um escritório de coworking
Foto: CoWomen/Unsplash

A pandemia do novo coronavírus está sendo um desafio aflitivo para a maior parte dos empresários brasileiros. São poucos os setores que estão “vendendo lenços”, enquanto tantos outros “choram” ao ver seu faturamento despencar com elevado risco de perder tudo. No universo das empresas lideradas pelas mulheres, a agonia é maior, segundo pesquisa feita pelo Sebrae, que diz que 52% dos negócios tocados por elas foram afetados “temporariamente” ou “de vez” pela pandemia (contra 47% das empresas tocadas por homens). 

As mulheres são as responsáveis por quase a metade dos lares brasileiros, carregam jornadas seguidas entre o trabalho e o cuidado da família, que só aumentou desde a chegada da quarentena. Apesar do fardo a mais, elas foram mais ágeis em buscar solução digital para as vendas, 34% ante 31% dos homens, segundo o levantamento obtido com exclusividade pelo CNN Business

As empresárias precisam 14% a menos de recursos do que os homens para manter seu negócio sem fechar (R$12,4 mil contra R$ 14,5 mil nos homens). Mas isso está longe de ser sinal de solvência do negócio. O levantamento do Sebrae mostrou que a dificuldade de acesso ao crédito está mais evidente nesta crise. Entre as donas das empresas entrevistadas, 44% afirmaram que jamais buscaram empréstimo em bancos, contra 38% dos homens. 

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Desde o início da pandemia, em meados de março, apenas 34% das mulheres buscaram financiamento, parcela que sobe a 41% entre os empresários. A intenção de pedir socorro aos bancos durante a crise também é menor entre elas  (54% contra 64% dos homens). A pesquisa feita pelo Sebrae descortina evidências de que o ambiente de negócios espelha a desigualdade de gênero que impera no mercado de trabalho brasileiro, ainda que as empresárias sejam mais modernas, ágeis e contem menos com os bancos para crescer – mesmo que por imposição. 

“Embora as empresárias possuam uma média de escolaridade 16% superior à dos homens e estejam cada vez mais na posição de chefes de domicílio, elas continuam ganhando cerca de 22% a menos. No mesmo contexto, apesar de apresentarem uma taxa de inadimplência menor (3,7%) que os homens (4,2%), as mulheres donas de negócios acabam pagando juros maiores (35%) do que os homens (31%)”, diz Carlos Melles, presidente do Sebrae. 

Segundo a pesquisa, desde o início da pandemia, as empresárias demitiram menos (2 empregados ante 2 demitidos pelos homens), apesar de terem mais dívidas em atraso (34% contra 31% dos empresários). A demissão foi menor nos negócios liderados pelas mulheres, mas a suspensão do contrato de trabalho, medida possibilitada pelo governo, foi ligeiramente mais acionada por elas (31% contra 27% por eles). 

A quarentena começa a ser flexibilizada em muitos estados brasileiros, o que pode trazer algum fôlego para os setores do comércio e serviços, os mais afetados pela paralisia abrupta do consumo. É um movimento de risco e que demanda muita responsabilidade dos governantes para evitar uma segunda onda de contágio pelo novo coronavírus, que levaria a mais perdas na economia. Enquanto a normalidade não retorna, ou o que venha ser o novo normal, as mulheres continuarão a enfrentar doses a mais de exigência e resistência para manter suas famílias e também seus negócios abertos.

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