IPCA-15 recua 0,59% em maio, maior deflação desde o início do Plano Real

Influenciada pela queda nos preços dos combustíveis, a prévia da inflação de maio apresentou uma queda mais acentuado que o mercado esperava

do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de maio de 2020 às 09:20 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 09:58
Funcionário de posto de gasolina abastece carro em São Paulo
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Impactada pela queda nos preços dos combustíveis, o IPCA-15 de maio, prévia da inflação, registrou queda de 0,59%, a maior deflação desde o início do Plano Real, em julho de 1994. O número foi divulgado pelo IBGE na manhã desta terça-feira (26) e veio mais acentuado que o mercado esperava. Pesquisa da Reuters, por exemplo, estimava queda de 0,45%. Esta é a segunda deflação seguida do IPCA-15. Em abril, a prévia da inflação registrou queda de 0,01%.

No acumulado dos 12 meses, a prévia da inflação etve alta de 1,96%, ante de 2,92% antes, bem abaixo do piso da meta de inflação para este ano – 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA. A expectativa era de alta de 2,10%.

As medidas de isolamento e paralisações adotadas para evitar a propagação do coronavírus vêm influenciando uma queda da demanda no Brasil, com reduções ainda no preço da gasolina pela Petrobras pressionando para baixo os preços do combustível.

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Segundo a instituição, a gasolina foi o item que apresentou a maior queda individual, com recuo de 8,51%. Além disso, a retração de 8,54% dos combustíveis também foi influenciada pelo tombo nos preços do etanol, com queda de 10,40%; óleo diesel, com 5,50% e o gás veicular, com recuo de 1,21%. 

Já as passagens aéres, que assim como os combustíveis, também fazem parte do grupo de transportes, apresentaram queda de 27,08% - após subir 14,83% em abril. Este grupo foi o que demonstrou a maior defalação do mês.

Na outra ponta, a alta do grupo Alimentos e bebidas desacelerou em maio a 0,46%, contra 2,46% no mês anterior. A principal influência para esse resultado veio dos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de 3,14% em abril para 0,60% em maio.

Se por um lado a cebola subiu 33,59%, o preço da cenoura passou a cair 6,41%. As incertezas tanto internas quanto externas relacionadas ao Covid-19 mantêm os consumidores em alerta, tanto em relação ao emprego quando à renda.

O governo passou a projetar contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 de 4,7%, contra alta de 0,02% vista em março. Já a mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC com economistas mostra que a expectativa é de a inflação termine este ano a 1,57% e que a economia encolha 5,89%.

Com Reuters

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