Nissan reduz produção em 20% e fecha fábrica na Espanha após pior ano desde 2009

Em pronunciamento nesta quinta (28), CEO disse que a empresa vai adotar nova estratégia de corte de custos

Sherisse Pham do CNN Business
28 de maio de 2020 às 12:19 | Atualizado 28 de maio de 2020 às 12:55
 
Foto: Christian Hartmann/Reuters

Nesta quinta-feira (28), a Nissan se comprometeu a reduzir sua produção em 20%, além de suas fábricas na Espanha, como parte de uma ampla revisão realizada pela montadora japonesa — após a companhia registrar seu pior ano em uma década.

Dados publicados pela empresa mostram uma perda operacional equivalente a US$ 376 milhões no ano fiscal encerrado em março — para efeitos de comparação, a Nissan havia alcançado um lucro operacional de US$ 2,9 bilhões no ano anterior. Esse foi o pior desempenho da companhia desde 2009.

Mas o pior pode estar por vir. Dada a incerteza em torno do avanço da pandemia de coronavírus, e seus efeitos econômicos, "é difícil ter uma perspectiva razoável para o ano fiscal de 2020 neste momento", disse o CEO Makoto Uchida durante a apresentação de resultados desta quinta-feira (28).

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Na véspera, Nissan, Renault e Mitsubishi afirmaram que aprofundariam seus acordos. A partir de agora, as empresas devem fabricar menos modelos, compartilhar instalações de produção e aproveitar vantagens geográficas e tecnológicas de cada montadora para tentar reduzir custos durante a pandemia de coronavírus.

A maior aliança de fabricantes de automóveis do mundo acrescentou ainda que vai eliminar a filosofia de “crescimento a todo custo”, estratégia implementada pelo ex-diretor da Nissan Carlos Ghosn — preso em 2018 por sonegação e má conduta. Na época, Ghosn negou as irregularidades.

Depois que a Nissan anunciou as novas estratégias de cortes de gastos, as ações da companhia subiram mais de 8% em Tóquio, antes do balanço ser divulgados. No histórico anual, entretanto, as ações da marca tiveram baixa de 29%.

De acordo com a montadora, a revisão do planejamento deve reduzir os custos em cerca de US$ 2,8 bilhões. Entre as medidas do novo plano, a empresa também vai reduzir o número de modelos produzidos de 69 para menos de 55 e fechará sua fábrica de veículos em Barcelona. 

Em comunicado à imprensa, o governo espanhol disse lamentar a decisão da Nissan e afirmou que vai tentar convencer a empresa a manter a fábrica de portas abertas. Outra unidade fechada neste ano foi a planta da Indonésia. A Nissan disse que agora vai manter apenas a fábrica da Tailândia no sudeste da Ásia.

Antes da pandemia, a Nissan já sofria uma queda nas vendas. No ano passado, a empresa afirmou que cortaria cerca de 12.500 empregos do quadro de funcionários global. Nesta quinta-feira (28), Uchida não informou se mais empregos seriam cortados como parte da revisão. O CEO afirmou apenas que a Nissan ainda precisa consultar sindicatos e outras partes interessadas para dar declarações sobre essa questão.

Atualmente, a fábrica de Barcelona emprega diretamente cerca de 3.000 trabalhadores. Outras 20.000 pessoas dependem indiretamente da atividade da planta, segundo um porta-voz do governo espanhol. 

Para "compartilhar a dor" causada pela reforma, Uchida disse que vai cortar o próprio salário em 50% no primeiro semestre do ano e que outros executivos também vão receber em torno de 30% a menos.

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