Queda do PIB no 1º trimestre sinaliza 'desastre' para o ano, avalia economista

Sérgio Vale analisou o cenário econômico do país após a divulgação dos números

Da CNN em São Paulo
29 de maio de 2020 às 11:12

A economia brasileira encolheu 1,5% no primeiro trimestre de 2020 em relação aos três meses anteriores, impactada pelas medidas de distanciamento social contra o novo coronavírus. O número foi divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em entrevista à CNN, Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados afirmou que o segundo trimestre está 'praticamente perdido' para a economia, devido o impacto 'desastroso' do novo coronavírus na economia brasileira. Sergio diz ainda que os números é um retrato velho', mas que alguns setores, que eram promissores, também foram surpreendidos. 

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"Esse resultado do PIB, no final de março tivemos um impacto muito grande por causa da Covid, mas o interessante do primeiro trimestre é que a gente via uma sinalização de crescimento de alguns setores para o ano: atividade imobiliária, agropecuária, petróleo e gás. E infelizmente, quando a gente olha dois  destes setores a situação está diferente disso."

"É um resultado que traz um misto  de impressões: é o que poderia ter sido, mas o final do semestre mostrou o que está por vir. O setor de serviços - bares, restaurantes- teve uma queda significativa no trimestre e será um dos mais afetados no ano todo. Esse retrato sinaliza, infelizmente, um pouco do desastre que a gente vai ter no ano por conta do vírus", completa.

O resultado é o pior para o trimestre desde o segundo trimestre de 2015, quando a atividade caiu 2,1%, e interrompe uma sequência de quatro trimestres de crescimento. Com isso, a economia voltou a um patamar próximo ao que estava no segundo trimestre de 2012.

"O segundo trimestre será perdido, tivemos uma paralisação quase total em abril, maio todo em quarentena e em junho também, praticamente. A queda será muito forte em praticamente todos os segmentos. A partir de agora, do terceiro semestre, vamos depender da saída da quarentena", disse.

O economista ainda afirmou que o setor de serviços vai levar tempo para se recuperar totalmente. Para ele, todos os segmentos que envolvem aglomeração ou qualquer tipo de movimentação extra, as pessoas evitarão por receio ao vírus. "É uma crise que vai levar tempo para a gente conseguir retornar ao normal e acho que isso só vai acontecer integralmente quando tivermos a cura definitiva para a doença". 

Para o segundo trimestre, Sérgio avalia uma queda de 15% em comparação ao número atual e de quase 20%  em comparação ao segundo período do ano passado. "Se temos uma saída ainda difícil, provavelmente teremos um segundo trimestre complicado. Quando pegamos o ano todo, podemos ter uma queda de quase 8% no índice.", concluiu.

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