Startup britânica transforma pó de café usado em lenha


Sandy Thin e Nell Lewis, da CNN Business
11 de junho de 2020 às 06:00
Lenha, café, combustível

Um saco de lenhas de café Bio-bean custa em torno de £ 7 (ou R$ 43) – preço semelhante a outras lenhas disponíveis no Reino Unido, segundo o fundador da empresa

Foto: Matt Keal

As cafeterias geram muitos resíduos, como copos descartáveis para viagem e o pó usado de café que apodrece em aterros sanitários.

A rede Starbucks (SBUX) até começou a testar alternativas recicláveis para os copos descartáveis, mas não encontrou uma solução sustentável para o café usado. Agora, a startup britânica Bio-bean acha que descobriu uma maneira de transformar esse desperdício em um recurso valioso.

O mundo bebe cerca de 2 bilhões de xícaras de café por dia, produzindo 6 milhões de toneladas de pó usados a cada ano, de acordo com um estudo de 2011. Quando são enviados para aterros, os resíduos em decomposição liberam gases de efeito estufa na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.

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Para lidar com esse tema, a Bio-bean primeiro desenvolveu em 2017 um biocombustível à base de café para ser usado nos ônibus a diesel de Londres. O produto, porém, não se mostrou comercialmente viável e a empresa mudou seu foco para combustíveis sólidos para uso doméstico e industrial, passando a transformar 7.000 toneladas de pó por ano em 'lenha e pellets'. 

A Bio-bean estima que o processo de reciclagem reduza as emissões em 80% em relação ao pó enviado para aterro. O pó reciclado também libera gases de efeito estufa quando queimados, mas menos que outros combustíveis à base de carbono. 

Café, combustível

O processo da Bio-bean começa com a descontaminação dos grãos de café

Foto: Matt Keal

A Bio-bean conseguiu mais de US$ 7 milhões em financiamento desde que foi fundada em 2013 e recicla café coletado de empresas como Costa Coffee, London Stansted Airport e a operadora ferroviária britânica Network Rail.

“Conseguimos ter sucesso com nossa inovação quando tivemos escala", revelou George May, diretor e diretor comercial da Bio-bean. “Outras pessoas podem reciclar uma ou 10 toneladas de café. Nós já reciclamos mais de 20.000 toneladas até hoje".

Apesar do impacto da crise da Covid-19, que fechou temporariamente as lojas de café no Reino Unido, a Bio-bean continua operando, em volumes mais baixos do que o habitual. 

Café como combustível

Na fábrica da empresa em Cambridgeshire, o pó de café usado é descontaminado para remover restos de copos de papel ou sacolas plásticas e depois passa por um secador e um processo de triagem adicional. Em seguida, é transformado em pellets de biomassa e lenha para lareiras domésticas.

A empresa também desenvolveu outro processo para produzir um extrato de sabor natural a partir de grãos de café.

Os pellets podem ser usados para alimentar caldeiras industriais, aquecer estufas comerciais ou secar safras de cereais, enquanto a lenha de café alimenta fogões e lareiras.

“O café é altamente calorífico e serve como um combustível realmente fantástico", garantiu May. “Ele queima em temperatura cerca de 20% mais alta e por 20% mais tempo que as toras de madeira".

Jenny Jones, professora de energia sustentável da Universidade de Leeds, diz que os grãos de café reciclado têm potencial como combustível, mas acrescenta que a economia geral de carbono precisa ser avaliada e comparada com outras alternativas para lidar com os resíduos de grãos de café, como a incineração e a transformação em cobertura viva de solo para plantas.

De acordo com Jones, os grãos de café, como a maioria dos resíduos de biomassa, são mais ricos em enxofre e nitrogênio do que a maioria das madeiras, que emitem gases nocivos, como dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio quando queimados.

A Bio-bean observa que seus pellets comerciais de biomassa são certificados pelo Sustainable Fuel Register do Reino Unido, enquanto as lenhas de café liberam "menos emissões de particulados do que a maioria das toras de madeira".

Apesar da pausa provocada pela pandemia de coronavírus, a Bio-bean planeja expandir sua operação para o noroeste da Europa nos próximos cinco anos.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês).