Retração de 7% no PIB do Brasil é realista, diz Henrique Meirelles

O secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo disse que os números estão evoluindo e que previsão é "perfeitamente possível"

da CNN, em São Paulo
12 de junho de 2020 às 18:19

Ex-presidente do Banco Central e atual secretário da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo, Henrique Meirelles disse ver uma retração de 7% no PIB brasileiro como "realista". Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (12), ele falou sobre projeções para a economia nacional, a criação de uma renda básica universal e a reabertura do comércio paulista.

"Temos que torcer pelo melhor, mas estar preparado e ter plano de ação para o pior. [Uma retração] ao redor de 7%, ou acima de 7%, é perfeitamente possível", declarou. "Mas os números estão se movendo, a última pandemia nessa escala foi a da gripe espanhola, então é muito importante irmos aprendendo. O mundo todo está lidando com um fenômeno novo".

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Apesar dessa queda brusca —Meirelles disse que quando assumiu o Ministério da Fazenda em 2016, o PIB estava em retração de 5,2%, a maior já observada em um país que não estava em guerra —, o secretário disse não acreditar na criação de uma renda básica para todos os brasileiros.

"Não temos que aceitar isso como situação permanente", disse. "Temos que olhar para a frente e a melhor política social que existe é a criação de emprego, é isso que vai resolver a questão. Mas para isso, temos que ter crescimento econômico e qualificação, treinamento para que as pessoas possam produzir e ganhar mais. Esse é o grande desafio".

Mesmo com a situação dramática, Meirelles garantiu que São Paulo vai continuar pagando suas contas. "Estamos ainda com orçamento, com suspensão do pagamento da dívida e o repasse [do governo federal], estamos relativamente equilibrados, mas com muito controle de despesa", disse.

Reabertura em SP

Para o secretário, ainda não é possível avaliar os resultados da recente reabertura do comércio no estado.

"Ainda está muito prematuro, porque esse é um processo gradual", classificou. "Isso é uma coisa que vamos evoluindo com muito cuidado, porque a prioridade é a saúde da população, salvar vidas. Vamos avaliando na medida do que for seguro e importante para população".

O ex-ministro disse não acreditar que a reabertura possa causar uma segunda onda da Covid-19 pois é um processo "flexível".

"Faz parte do planejamento que possa haver, havendo aumento de contaminação, de internação, fora da curva, não há dúvida que isso será sinal para uma mudança de curso", declarou.

No entanto, Meirelles disse que os protocolos de segurança foram pensados para evitar esse aumento e que serão "cuidadosamente monitorados para não ter nenhuma surpresa perigosa". 

(Edição: Bernardo Barbosa)