Starbucks recua e permite que funcionários usem roupas do Black Lives Matter


Jordan Valinsky, da CNN
12 de junho de 2020 às 14:06
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Rede de cafeterias anunciou que irá distribuir 200 mil camisetas a funcionários com frases do movimento Black Lives Matter

Foto: Henry Nicholls/Reuters

A rede de cafeterias Starbucks recuou da decisão de proibir os funcionários de usarem acessórios, como camisetas e broches, com mensagens em apoio ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). 

Apesar de a empresa apoiar publicamente a iniciativa nas redes sociais e em comunicados à imprensa, um memorando interno enviado aos funcionários e obtido pelo site BuzzFeed News indicava que a Starbucks não iria permitir que aqueles que trabalham no balcão fizessem o mesmo.

No recado, a companhia disse que não iria autorizar os funcionários a portarem esses materiais porque “há agitadores que interpretam mal os princípios fundamentais do movimento Black Lives Matter — e, em determinadas circunstâncias, os redirecionam intencionalmente para amplificar a divisão”.

Contudo, nesta sexta-feira (12), a rede de cafeterias reverteu a decisão, dizendo que os funcionários podem vestir itens do Black Lives Matter até as novas camisetas da empresa — que incluirão frases do movimento — serem entregues aos mais de 200 mil funcionários.

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"Esse movimento é um catalisador para mudanças, e agora está nos dizendo muitas coisas que precisam ser ditas para que possamos dar espaço para a cura", disse a empresa em uma carta aos funcionários, anunciando o lançamento de camisetas com um novo design.

A Starbucks afirmou que é "fundamental apoiar o movimento Black Lives Matter, como pretendiam seus fundadores, e continuar a trabalhar de perto com líderes comunitários, dos direitos civis, organizações e nossos parceiros para entender o papel que a Starbucks pode desempenhar, e se apresentar de uma forma positiva para nossas comunidades".

Comunidade LGBTQ 

A Starbuck encoraja a equipe a usar produtos que celebram os direitos da comunidade LGBTQ para o Mês do Orgulho, e disse que vai distribuir esses itens aos baristas.

O memorando inicial foi enviado depois que funcionários levantaram o questionamento aos líderes da corporação. Os trabalhadores perceberam que os apetrechos do orgulho LGBTQ são permitidos porque são sancionados pela empresa, e ela ainda não tinha distribuído ou falado em distribuir camisetas ou broches do Black Lives Matter.

Um porta-voz da companhia falou mais cedo ao BuzzFeed News que a política permaneceria em vigor porque é necessária para criar um ambiente “seguro e acolhedor”. Mas depois optou pela mudança.

Histórico

A Starbucks tem um histórico complicado com a questão racial. Em 2018, ela fechou temporariamente 8 mil cafeterias e exigiu que seus 175 mil funcionários aprendessem sobre racismo depois que uma funcionária branca chamou a polícia por causa da presença de dois consumidores negros. 

Na ocasião, o presidente da Starbucks, Howard Schultz, afirmou que foi um caso “condenável”, em um anúncio de página inteira nos jornais.

A morte de George Floyd, homem negro e desarmado, durante uma abordagem policial desencadeou uma onda de protestos em diversas regiões dos Estados Unidos e no exterior. Inúmeras empresas se manifestaram contra as injustiças raciais, incluindo a Starbucks. A rede de cafeterias disse no Twitter que doará US$ 1 milhão a organizações “que promovem igualdade racial e comunidades mais inclusivas e justas”.

A Starbucks também publicou em seu site um relato que diz que uma das cafeterias da rede foi vandalizada durante um protesto, destacando que os funcionários estavam servindo café a outros comerciantes, jornalistas, equipes de primeiros socorros e manifestantes.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)