Rappi vê demanda por entregas de supermercados e farmácias subir 300%, diz CEO


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
18 de junho de 2020 às 16:46 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 18:05

O setor de entregas é, pela natureza do serviço oferecido, uma rara exceção econômica durante a pandemia. Em entrevista ao CNN Brasil Business, o presidente da Rappi no Brasil, Sergio Saraiva, conta que a demanda chegou a subir 300% em pedidos de supermercado e farmácia.

“O comportamento das pessoas precisou mudar por conta do isolamento social. Cresceu o número de usuários, o número de pedidos e também o tamanho de pedidos”, diz.

Junto com essa mudança de comportamento, veio também um aumento significativo na oferta de mão de obra. Milhares de brasileiros buscam nos aplicativos uma fonte emergencial de renda, o que fez o número de colaboradores aumentar em quatro vezes no período. E a tendência é que este número continue crescendo.

“Nossa perspectiva é que tenha mais oferta (de entregadores), mas ficamos feliz porque conseguimos dar emprego pra mais gente”, afirma. A empresa não divulga dados absolutos, mas, a título de comparação, o concorrente iFood recebeu somente em março 175 mil inscrições de candidatos interessados em atuar como entregadores da plataforma.

O problema é que, apesar de se mostrar opção relevante para um mercado de trabalho retraído, não é novidade para ninguém que o setor enfrenta problemas na relação com os entregadores.

No dia 6 de junho, trabalhadores protestaram na Avenida Paulista contra o sistema de pontos dos aplicativos. Para o próximo dia 1º, a classe está agendando um dia de greve para pleitear melhores condições de trabalho, como aumento no pagamento das corridas e na taxa mínima, seguro de vida, contra roubos e acidentes.

Saraiva explica que o sistema de pontos vai aumentando a nota do prestador conforme sua avaliação pelos clientes, pontualidade, número de gorjetas que recebem e, partir desta pontuação, são elegíveis ou não para certos tipos de entrega.

“É uma coisa nova, apesar de comum em apps de transporte, então teve um pouco de ruído, mas fizemos nossa parte para a comunicação fluir”, defende. “A ideia é garantir que o cliente tenha o melhor entregador possível, e assim todo mundo ganha.”

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Ainda sobre mercado de trabalho, o executivo explicou que a empresa passa por uma reestruturação interna desde janeiro para poder continuar crescendo. A startup de entregas aumentou em mais de 202 o número de profissionais responsáveis por fazer a compra no supermercado para o cliente, entre março e maio.

Também houve um crescimento de 30% na equipe de atendimento ao cliente. Há ainda cerca de 150 posições em aberto nas áreas comercial, de recursos humanos, executiva e outras.

Pandemia do novo coronavírus

Pensando nos impactos da pandemia, a empresa lançou em parceria com outras companhias o movimento 2 em 2. A ideia é que, a cada teste de Covid-19 vendido na plataforma (custa R$ 251), a Rappi doe outro para setores fragilizados da sociedade.

"Você compra o teste na Rappi e agenda a coleta em determinado local. Chegando lá, você para em um lugar específico, sem aglomerações, e faz o teste. O resultado sai em até 72 horas", resume.

Até agora, é possível realizar o exame no Iguatemi, em São Paulo, e nos shoppings VillageMall e Leblon, no Rio. A ideia, no entanto, é aumentar os postos na capital paulista e expandir para outras cidades do Brasil.

Mudanças de comportamento

A Rappi espera que parte dos comportamentos das pessoas, como ir à padaria da esquina, voltem ao normal depois da pandemia. Apesar disso, Sergio entende que outros hábitos mudarão. Pensando nisso, a marca quer reforçar cada vez mais o conceito de SuperApp, englobando vários serviços no mesmo lugar.

“A gente se preocupa muito com este ecossistema, porque o que a gente oferece é comodidade. Este mercado é muito incipiente e a gente estuda muito para continuar trazendo novidades”, diz. 

*Com Reuters

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