BNDES prepara oito leilões de saneamento que podem atrair R$ 50 bilhões


Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
24 de junho de 2020 às 22:14

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está preparando oito projetos de concessão de empresas de saneamento com potencial para atrair R$ 50 bilhões em investimentos.

Os editais para os leilões das empresas de Alagoas e do Rio de Janeiro já foram publicados. O restante – Acre, Amapá, Rio Grande do Sul, Ceará e as cidades de Porto Alegre e Caririaçu – deve sair até o fim de 2021.

Em entrevista à CNN, o diretor de infraestrutura, Fábio Abrahão, explicou que as modelagens dos projetos feitas pelo banco atendem alguns critérios: não deixar nenhuma região desassistida, manter as tarifas, universalizar o serviço e atrair investimentos.

Por exemplo: na privatização da Cedae, companhia de saneamento do Rio de Janeiro, os blocos foram organizados reunindo regiões de alto consumo e áreas mais pobres. Um dos blocos é formado pela zona sul da capital e pelo norte do Estado.

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“Só é possível atingir todos esses objetivos ao mesmo tempo, porque o setor é muito ineficiente. Portanto, o potencial de geração de lucro do negócio é alta”, diz Abrahão. Na média, as companhias brasileiras de saneamento desperdiçam 40% da água potável em vazamentos ou furtos. No caso da Cedae, esse porcentual chega a 50%.

Abrahão avalia que o novo marco regulatório vai funcionar como uma “fast track” para as licitações, porque acaba com a exigência de aprovação pelas Câmaras municipais e estaduais. A decisão fica nas mãos de prefeitos e governadores.

Segundo Edison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, a maior vantagem do novo marco regulatório é exigir que as empresas concessionárias garantam a universalização do saneamento até 2033. No ritmo atual, isso só ocorreria em 2065.

No Brasil, 48% da população não tem colega de esgoto. O país é 112 colocado num ranking de cerca de 200 países elaborado pelo Banco Mundial.

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