Ibovespa cai 1,66% com mercado cauteloso sobre nova onda de Covid-19 no mundo

Viés mais negativo nos mercados foi motivado por receios com uma volta das medidas de isolamento e um potencial retrocesso na retomada das economias

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
24 de junho de 2020 às 10:14 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 18:00
Salão da bolsa paulista, a B3, em dia de negociações (24.mai.2016)
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A bolsa paulista terminou em queda de 1,66%, diante da volatilidade nos mercados em razão de incertezas devido à pandemia de Covid-19. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,66%, aos 94.377,36 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 25,77 bilhões.

Após a forte valorização acumulada pelas ações brasileiras desde a mínima do ano em 23 de março, agentes financeiros começam a avaliar os níveis de preços, em um ambiente com sinais de retomada de economias no exterior, mas chance de uma nova onda de infecções pelo novo coronavírus, com risco de retardar a recuperação.

Da mínima do ano até a véspera, considerando dados de fechamento, o Ibovespa contabilizou um ganho de cerca de 50%. Ainda assim, permanece distante da máxima histórica de fechamento de 119.527,63 pontos apurada no dia 23 de janeiro.

O destaque de queda do dia foram os papéis ON da Cielo, que despencaram 12,96%, após reguladores suspenderem o uso do WhatsApp para transações em parcerias com instituições financeiras no Brasil. Mais cedo, a empresa comunicou que suspendeu os serviços relacionados ao pagamento por meio do aplicativo do Facebook, citando decisões do Banco Central e do Conselho Administrativos de Defesa Econômica (Cade). 

Ainda nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a pandemia está causando danos mais amplos e mais profundos à atividade econômica do que se pensava e piorou as previsões para o PIB global, estimando agora contração de 4,9%, ante projeção anterior de queda de 3%.

Para o gestor Daniel Pegorini, diretor-presidente da Valora Investimentos, os mercados tendem a continuar voláteis, com alguma estabilização dependente de fatores como o avanço em relação a uma vacina, porque sem ela não será possível controlar a pandemia.

"Ter idas e voltas (dos processos de lockdown) é o pior dos cenários, em razão da enorme incerteza sobre onde tudo isso irá parar", acrescentou.

Lá fora

Os três principais índices de Wall Street sofreram sua maior queda percentual diária em quase duas semanas nesta quarta-feira, com um aumento nos casos do coronavírus nos Estados Unidos intensificando o medo de mais uma rodada de paralisações pelo governo e piora dos danos econômicos.

Os EUA registraram o segundo maior aumento de infecções desde o início da crise sanitária, com um surto de casos em Estados onde as restrições destinadas a conter a doença foram afrouxadas mais cedo.

Segundo dados preliminares, o Dow Jones caiu 2,69%, para 25.451,42 pontos, o S&P 500 perdeu 2,58%, para 3.050,51 pontos, e o Nasdaq recuou 2,21%, para 9.907.10 pontos.

Na zona do euro, as ações europeias caíram para uma mínima em uma semana, também impactadas peloaumento nos casos de coronavírus e as notícias de que os EUA estão considerando tarifas sobre produtos europeus frustrando as esperanças dos investidores de uma rápida recuperação econômica.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 2,8%, a 1.394 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 2,8%, registrando sua segunda pior queda este mês. Setores cíclicos economicamente sensíveis, como o de viagens e lazer, montadoras, petróleo e gás e bancos, apresentaram declínios, caindo entre 3,7% e 4,7%.

Já na China, os índices acionários fecharam o dia em alta, encerrando a semana encurtada por feriado local com ganhos. O índice CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,42%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,3%.

*Com Reuters 

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