Gastos dos brasileiros no exterior caem em maio para o menor valor desde 2004

Em maio, a queda seguiu a mesma linha do desempenho do mês imediatamente anterior, despencando 86,4% ante o mesmo período de 2019

Anna Russi, da CNN Brasil Business, em Brasília
24 de junho de 2020 às 15:59 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 16:02
A Times Square, em Nova York, durante a pandemia do novo coronavírus: gastos do Brasil lá foram despencaram em maio
Foto: Eduardo Munoz/Reuters (23.abr.2020)

Com o setor de turismo mundial afetado pela pandemia da Covid-19, as despesas de brasileiros com viagens ao exterior caíram pelo quinto mês seguido. Em maio, a queda seguiu a mesma linha do desempenho do mês imediatamente anterior, despencando 86,4% ante o mesmo período de 2019, totalizando R$ 200 milhões. Esse é o menor resultado desde 2004. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os gastos recuaram 54%, em relação ao mesmo período do ano passado. 

Os dados estão na nota de Setor Externo, divulgada pelo Banco Central nesta quarta-feira (24). Os gastos de estrangeiros no Brasil também registraram queda em maio. Na comparação com os mesmos períodos de 2019, as receitas de estrangeiros no Brasil caíram 72,9%, em maio, e 38,1% no acumulado do ano.

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Em dólares, a diferença das despesas de brasileiros no exterior no mês passado em relação com maio do ano passado, foi de US$ 1,2 bilhões. A mesma comparação entre os gastos de estrangeiros no Brasil resulta em US$ 305 milhões. 

Por outro lado, apesar de ainda ter registrado déficit de US$ 87 milhões, a conta dos serviços de viagens teve um desempenho 91,7% melhor em maio de 2020, ante o mesmo mês do ano passado. No ano,  os brasileiros já gastaram um total de US$ 1,663 bilhões a mais com turismo no exterior do que o contrário. 

Contas externas 

Segundo o BC, as contas externas brasileiras tiveram superávit de US$ 1,326 bilhão em maio. Apesar de ser melhor que o déficit de US$ 1,3 bi no mesmo mês do ano passado, o resultado foi influenciado, principalmente, pela desaceleração no comércio exterior, com recuo tanto de importações como de exportações brasileiras. 

Resultado de US$ 17,996 bilhões em exportações e US$ 13,791 em importações, a balança comercial somou US$ 4,205 bi no mês passado. Em comparação com maio de 2019, as vendas brasileiras para o exterior recuaram 12,7%, enquanto as importações caíram 11,6%. 

No acumulado do ano, o déficit das contas externas já chega a US$ 11,335 bilhões. O número é 38,2% menor que o rombo do mesmo período do ano passado.

Investimentos 

A conta das transações correntes é formada pela balança comercial, pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas, ou seja, remessas de juros, lucros e dividendos do país para o exterior. Para este ano, a previsão do Banco Central é de um rombo de US$ 57,7 bilhões nas contas externas brasileiras.
 

O Investimentos Direto no País (IDP) alcançou US$ 20,595 bilhões no acumulado dos cinco primeiros meses de 2020. O valor é menor que os US$ 31,659 bilhões em igual período no ano anterior. 

No mês passado, o IDP alcançou US$ 2,552 bilhões, uma redução de 69,1% ante os US$ 8,264 bilhões no mesmo mês de 2019. Para o total de 2020, o BC projeta que o IDP feche em US$ 80 bilhões.  

Além do retorno de investimentos brasileiros no exterior, o IDP é formado por recursos da participação no capital e por empréstimos diretos concedidos à filiais de empresas multinacionais no país.

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