Caixa: Se o governo prorrogar 'coronavoucher', será para quem já está recebendo

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
26 de junho de 2020 às 14:44 | Atualizado 26 de junho de 2020 às 14:47
O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães: extensão do auxílio emergencial só para quem já está recebendo
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou, nesta sexta-feira (26), que caso a prorrogação do programa do auxílio emergencial seja confirmada, as parcelas adicionais serão repassadas para os mesmos beneficiários das três primeiras parcelas.

"O que posso dizer é que os beneficiários já são 65 milhões e, obviamente, serão os mesmos. De fato, serão pelo menos 65 milhões que são os que já estão recebendo", disse. 

Sem dar mais detalhes sobre a prorrogação, ele reforçou que o assunto é uma discussão do presidente da República, Jair Bolsonaro com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e que a data do pagamento e o valor a ser repassado serão anunciados por Bolsonaro. 

Vale destacar que em live da última quinta-feira (25), o presidente da República, Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, informou que está em estudo o pagamento de um adicional de R$ 1.200 do auxílio emergencial, a ser dividido em três parcelas decrescentes. "Deve ser, estamos estudando, R$ 500, R$ 400 e R$ 300", afirmou Bolsonaro.

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Vale lembrar que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no pagamento das primeiras parcelas, o benefício também chegou para famílias mais ricas, com renda média superior aos R$ 3.150 estabelecidos na regra do programa. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tem criticado o sistema de cadastro para solicitação do auxílio utilizado pelo governo, a quem acusa de não ter considerado registros feitos por estados e municípios.

Em coletiva de imprensa, nesta sexta, para detalhar o calendário de pagamento da terceira parcela, Guimarães informou que mais 40,4 milhões de brasileiros receberão alguma parcela do auxílio emergencial entre o próximo sábado (27) e o sábado seguinte (4).

"Amanhã recebem na poupança os nascidos em janeiro e fevereiro. Independente do lote ou parcela a lógica será sempre depósito em bimestre por dia. Assim, com 7 milhões recebendo por dia, quase 41 milhões de pessoas receberão entre 27 jun a 4 de julho", explicou. 

Conforme já divulgado na portaria do governo federal na quinta-feira passada, tanto o 1º lite da terceira parcela, como o 2º lote da segunda parcela e o 4º lote da primeira parcela começam a ser transferidos no próximo sábado (27). A previsão é de que entre 6,5 milhões e 7 milhões de brasileiros recebam o benefício por dia até o dia 4 de julho, pulando a próxima segunda-feira (29). 

"Na segunda-feira dia 29 não terá depósito pois estaremos depositando o FGTS. Ao todo, estamos pagando 122 milhões de brasileiros com algum tipo de benefício (FGTS, auxílio emergencial e Benefício emergencial ao trabalhador), então temos que dividir o cronograma", lembrou Guimarães.

De acordo com o presidente da Caixa, o calendário do saque em dinheiro dos lotes 1, 2 e 4 será liberado a partir de 18 de julho. A estimativa é de que cerca de 3,5 milhões de brasileiros realizem o saque por dia. Dividido em um mês por dia, e pulando alguns dias, o cronograma está previsto para ser finalizado em 19 de setembro. 

Já o saque em dinheiro do 3º da primeira parcela será liberado a partir de 6 de julho, terminando em 18 de julho. A expectativa é de que de 4 mil a 5 mil pessoas retirem o recurso por dia. "Já depositamos nas contas digitais, então, o pagamento já foi realizado. O saque será na mesma linha que fazemos, um dia por mês de nascimento", observou. 

Guimarães ainda ressaltou que o equilíbrio do cronograma do pagamento foi alcançado, uma vez que não são mais vistas grandes filas nas agências. "Por isso, todos os pagamentos, tirando o bolsa família, serão agora via conta digital e algumas semanas depois será liberado o saque e a transferência. A razão disso é para evitar aglomerações", afirmou. 

Pagamento digital 

Na avaliação do presidente da CEF, o uso do recurso de forma digital para compras via QR code ou débito virtual estão aumentando, sendo que essas operações já somam R$ 2,75 bilhões.  

Ele destacou que cerca de 40% dos beneficiários já utilizam o recurso no pagamento de boletos bancários, contas de luz, gás ou água e compras em sites ou maquinhas. "Acreditamos que isso vai crescer na próxima fase. Nossa expectativa é de que mais de 60% do volume pago já seja consumido antes da necessidade do saque", comentou. 

Balanço 

Desde o início do pagamento, em 9 de abril, 64,1 milhões de brasileiros já foram beneficiados com recursos do auxílio emergencial de R$ 600. "Com o novo lote da primeira parcela amanhã esse número já deve alcançar 65 milhões", observou Guimarães. 

O valor total transferido nos pagamentos já atingiu R$ 90,8 bilhões. Segundo o Guimarães, esse número é cerca de três vezes maior que o total pago anualmente pelo programa Bolsa Família. 

De acordo com os dados da Caixa, dois milhões de pessoas ainda estão em análise pela Dataprev e outras 1,3 milhão estão em reanálise, ou seja, ainda não receberam nenhuma parcela do benefício. “Mesmo que a pessoa seja aprovado, por exemplo, lá no mês de julho, receberá as três parcelas, sem dúvidas”, garantiu o presidente do banco.

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