Elon Musk subestima pandemia e insiste em assembleia geral presencial na Tesla

Embora quase todas as grandes empresas tenham mudado suas assembleias gerais para o modo virtual, a Tesla quer realizar encontro à moda atinga

Chris Isidore, do CNN Business, em Nova York
27 de junho de 2020 às 10:34
O empresário Elon Musk é um dos críticos ferrenhos às medidas de precaução motivadas pela pandemia 
Foto: Reprodução/ Instagram
 
A maioria das empresas está sendo cautelosa durante a pandemia, realizando assembleias gerais virtuais, entre outras medidas de segurança. Mas isso não funciona para Elon Musk, um crítico voraz das medidas de segurança da Covid-19.

Musk, que atacou com grosserias as ordens de ficar em casa durante uma teleconferência trimestral com investidores em abril, chamou tais medidas de "fascistas" e antiamericanas. Em maio, ele reabriu a fábrica da Tesla em Fremont, na Califórnia, apesar das restrições das autoridades de saúde locais, movendo uma ação em âmbito federal e ameaçando mudar a sede da empresa para outro estado.

E embora quase todas as grandes empresas tenham mudado suas assembleias gerais para o modo virtual nos últimos meses, a Tesla insiste que realizará sua própria reunião à moda antiga, em uma sala cheia de investidores, executivos da Tesla e membros do conselho.

Em um comunicado divulgado na segunda-feira, Tesla disse que a administração e o conselho valorizam as reuniões presenciais e acreditam que "os acionistas da Tesla gostam da conexão interpessoal e da dinâmica que só são possíveis com uma assembleia geral presencial".

Mas ela não irá acontecer no dia 7 de julho, conforme planejado originalmente. Em vez disso, Musk divulgou no Twitter, no fim de semana passado, que a data foi provisoriamente redefinida para 15 de setembro. Em um segundo comunicado, que incluía capturas de tela dos tweets de Musk, consta que uma data e local específicos para a assembleia ainda precisam ser definidos.

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Assembleias de acionistas são coisas do passado?

As assembleias gerais de acionistas são exigidas pela legislação de valores mobiliários. A SEC [Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos] divulgou orientações em abril, dizendo às empresas que poderiam alterar para reuniões virtuais com a devida antecedência, insistindo para que grupos diferentes sejam flexíveis quando as reuniões forem alteradas.

As assembleias são mais importantes para investidores individuais e pequenos investidores com participações de longo prazo em empresas do que em instituições ou day traders que compram e vendem ações rapidamente. Portanto, na maioria das vezes, essas assembleias são uma relíquia de um tempo remoto de investimento. E mesmo a maioria das reuniões presenciais mais regulares já permite a participação on-line.

A assembleia geral mais famosa e com a melhor participação de cada ano é geralmente a da Berkshire Hathaway (BRKA). Normalmente, dezenas de milhares de investidores com ações no mercado se reúnem para ouvir os sábios ensinamentos mais recentes do "Oráculo de Omaha", o CEO Warren Buffett. Mas mesmo isso foi realizado no modo on-line este ano e contou com mais de quatro horas de perguntas dos acionistas.

A esmagadora maioria das empresas mudou para assembleias gerais virtuais em meio à pandemia, de acordo com a Glass Lewis, um serviço que aconselha os acionistas sobre questões relacionadas à procuração. Das 3.700 reuniões anuais que o serviço acompanha, as únicas assembleias gerais presenciais dos EUA desde o início de abril foram empresas de "micro capitalização", fundos mútuos e empresas controladas, que raramente têm mais do que alguns participantes.

A Tesla (TSLA) conta com uma porcentagem relativamente alta de ações detidas por investidores individuais. Muitos são fãs da empresa e de sua visão de um mundo dominado por veículos elétricos. Apenas 51% das ações da Tesla são detidas por investidores institucionais, em comparação com mais de 60% das ações de outras empresas de tecnologia, como a Amazon (AMZN) ou a Apple (AAPL) e 77% da General Motors (GM).

Musk deve encontrar uma multidão ainda mais amistosa do que o normal na assembleia geral de acionistas deste ano, por conta do desempenho de Tesla. As ações ultrapassaram a marca de USD 1.000 pela primeira vez na história da empresa no início deste mês, subindo 138% no acumulado do ano até o fechamento de segunda-feira. Isso representa um aumento de 358% desde a última assembleia geral da empresa em 11 de junho de 2019.

A caminho dessa reunião, críticos levantavam questões sobre se a Tesla enfrentava uma crise de caixa e se seria regularmente lucrativa no futuro. As ações haviam caído 35% no acumulado do ano quando daquela assembleia. Desde então, a Tesla atingiu ou superou suas metas de lucro e de produção e suas ações dispararam.

"Dia da Bateria" no radar

Musk disse que espera juntar a assembleia geral adiada com o que a Tesla está chamando de o "Dia da Bateria", quando será lançada uma nova tecnologia de bateria. Tal anúncio poderia ofuscar a própria assembleia. Há muita especulação sobre qual inovação a Tesla deve anunciar.

Uma possibilidade: uma bateria que pode durar 1 milhão de milhas, o que pode ser especialmente importante para carros autônomos usados por serviços de carona, podendo permanecer na estrada 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Pode também haver um novo anúncio sobre velocidade de carregamento ou distância que pode ser percorrida com uma única carga. O Modelo S da Tesla foi recentemente considerado pela EPA como o primeiro carro elétrico com um alcance de mais de 400 milhas.

Também pode haver um anúncio a respeito do custo ou fornecimento de baterias, que representam uma parte expressiva do custo de um carro elétrico. E a Tesla tem planos de expansão ambiciosos que exigirão uma disponibilidade de baterias consideravelmente maior.

É claro que o anúncio da bateria e a assembleia geral podem ser feitos no modo on-line, ao invés de centenas ou milhares de pessoas se reunindo de forma presencial. Mas Tesla está insistindo em realizar os dois eventos na vida real, em vez de on-line. O que significa que tanto fãs quanto críticos terão de esperar.

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