'Queremos reverter decisão da China o mais breve possível', diz Tereza Cristina


Raquel Landim
Thais Herédia
29 de junho de 2020 às 22:31 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 22:35
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse em entrevista à CNN que espera reverter o mais breve possível a decisão da China de suspender a importação de carne bovina e de frango de quatro frigoríficos brasileiros.

“Não foi só do Brasil que houve suspensão. Eles decidiram cortar importações de plantas da Alemanha, dos Estados Unidos, da Argentina e Irlanda. Nós esperamos reverter o mais rápido possível”, disse Cristina.

Nesta segunda-feira (29), a China interrompeu unilateralmente as compras das plantas das empresas Marfrig, em Vargem Grande (MT), da Agra Industrial em Rondonopólis (MT) e da Minuano (RS) em Lajeado. Por sua vez, o Ministério da Agricultura informou aos chineses que o Ministério Público havia interrompido as operações da JBS em Lageado (RS).

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O motivo da suspensão dos embarques desses frigoríficos é a contaminação de funcionários por Covid-19, embora não exista qualquer evidência de que o vírus seja transmitido através do consumo de alimentos. Os chineses, no entanto, estão muito alarmados com o surgimento de uma nova onda da doença em Pequim.

Segundo apurou a CNN, mesmo sem qualquer suporte científico, a embaixada da China no país passou a traduzir notícias sobre a disseminação da doença para o mandarim e enviar as informações ao seu país, sem aguardar uma comunicação oficial das autoridades brasileiras. Dessa maneira, chegaram às três plantas suspensas unilateralmente.

Técnicos brasileiros contaram à reportagem que brasileiros e chineses tiveram uma reunião às 5h da manhã de domingo por causa do fuso horário. Funcionários do Ministério da Agricultura tentaram explicar a situação e informar todos os protocolos tomados pelos frigoríficos brasileiros para conter a disseminação do coronavírus nas plantas.

"Nós estamos reunindo informações técnicas, temos que traduzir tudo para o mandarim, vai tudo pela embaixada da China aqui no Brasil. O clima é muito bom, nós vamos reverter", acredita a ministra.

O Brasil tem 102 plantas de frigoríficos habilitados a exportar para a China. Este ano, as vendas de carne bovina para os chineses já subiram mais de 30%, as de carne suína tiveram quase 170% de aumento.