Conheça a estratégia da Smart Fit para trazer o cliente de volta à academia


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
09 de julho de 2020 às 22:46 | Atualizado 10 de julho de 2020 às 13:53

A Smart Fit, maior rede de academias da América Latina, com 849 unidades e 2,7 milhões de clientes, decidiu abraçar as aulas e os exercícios transmitidos pela internet como estratégia para superar a crise e voltar a crescer. É o que afirma o seu fundador e CEO, o empresário Edgard Corona, em entrevista para o programa CNN Líderes.

"Queremos estar presente na vida da pessoa 24 horas por dia, 7 dias por semana. No momento em que as academias fecharam, abrimos a nossa plataforma 'Treino em Casa' para a América Latina", conta Corona. 

Segundo ele, a demanda foi uma surpresa. "Tivemos 15 milhões de usuários, dos quais 800 mil por dia." 

A estratégia deu tão certo que a Smart Fit decidiu comprar a maior plataforma de aulas digitais, a Queima Diária, em negócio anunciado nesta quinta-feira (08). "Atingimos a liderança desse segmento na América Latina", afirma. A Queima Diária é considerada a "Netflix" do segmento fitness.

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"Por que a Amazon comprou a Whole Foods (rede de supermercados americana especializada em alimentos saudáveis)? Porque, em vez de entregar um item a cada 15 dias, queria estar em contato com seus clientes de forma recorrente", compara o empresário ao explicar a estratégia.  

Corona diz acreditar em uma transformação na forma como as pessoas "consomem" academia.

O CEO da Smart Fit e da Bio Ritmo diz enxergar um padrão de comportamento e de negócios no ramo de academias em países que puderam retomar a atividade após a primeira onda da pandemia. Segundo ele, houve um aumento nas vendas de pacotes que seria decorrente de uma preocupação maior das pessoas com a saúde, pois a pandemia acendeu o sinal de alerta sobre o perigo do sedentarismo. 

Reabertura no vermelho

Corona disse que, no auge da crise, a receita caiu a zero com a decisão de congelar todas as cobranças de mensalidade de clientes da Smart Fit por causa do fechamento de todas as unidades nos 12 países em que a rede está presente, procedimento que teve início em 15 de março.

"O momento agora é de preservação de caixa", disse o empresário, justificando a falta de previsibilidade sobre a reabertura das academias em condições normais e a reação dos clientes.

A Smart Fit queimou de caixa o equivalente a 15% do que seriam despesas normais, algo que o empresário define como um percentual "pequeno" considerando que a empresa levantou capital no ano passado com investidores e com a emissão de debêntures (títulos) no mercado.

Ele afirmou que vai operar com prejuízo na reabertura em mercados como São Paulo, onde as academias reabrem na próxima segunda-feira (dia 13) com apenas 30% da capacidade de atendimento.

"Vamos começar operando com prejuízo, mas com segurança", afirma Corona. Mas ele adverte que se as restrições forem mantidas por quatro a cinco meses, podem inviabilizar a operação das academias.

É uma reviravolta depois de um primeiro trimestre que ele definiu como "espetacular", em que 50 novas unidades foram abertas, dentro de um plano que previa 240 no ano inteiro.

Novos protocolos

Corona disse que as academias vão reabrir atendendo 42 novas medidas de segurança, de vestiários fechados até a alternância ds aparelhos de ginástica - um disponível, outro interditado. 

Todos os funcionários receberam vídeos para assimilar os novos procedimentos. 

"Neste momento, a segurança do nosso cliente é fundamental", diz o empresário.

Segundo ele, a cartilha com os protocolos está pronta há cerca de 75 dias, tendo como base informações colhidas junto a grandes redes de academias de outros países que reabriram a economia primeiro.

Fake news

Corona negou envolvimento ou financiamento de grupos de fake news. Em maio, ele foi um dos alvos de uma operação da Polícia Federal em inquérito que investiga a propagação de notícias falsas. Ele teria pedido dinheiro a colegas em um grupo de WhatsApp para impulsionar vídeos de ataque ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia.  

"Sou contra fake news. Nunca financiei nem produzi qualquer tipo de fake news", afirmou. Ele alegou que discordou em discussões sobre a reforma da Previdência em um grupo empresarial, mas afirmou que respeita o trabalho de Maia.

(Edição: Marcelo Sakate)  

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