Mourão diz a empresários estar “100% alinhado” com carta de CEOs

38 CEOs e presidentes de grandes empresas brasileiras e multinacionais apontaram a necessidade de um “combate inflexível” a desmatamento ilegal

Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
10 de julho de 2020 às 18:22 | Atualizado 10 de julho de 2020 às 18:31

O vice-presidente Hamilton Mourão, responsável pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal, disse em reunião na tarde desta sexta-feira (10) estar “100% alinhado” com as propostas apresentadas pelos empresários brasileiros e afirmou que, embora não possa prometer metas agora, pretende estabelecer objetivos semestrais de redução do desmatamento da floresta equatorial. 

No comunicado enviado a Mourão e tornado público no começo da semana, 38 CEOs e presidentes de grandes empresas brasileiras e multinacionais instaladas no país apontaram a necessidade de um “combate inflexível” ao desmatamento ilegal, a inclusão socioeconômica das comunidades locais e a adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono, entre outras medidas. 

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O documento também ganhou adesão de mais empresários de lá para cá e passou dos 50 nomes e companhias, segundo um dos signatários - o que indica não só a repercussão da carta, mas especialmente o aumento da mobilização do setor privado, tendo as próprias empresas e seus principais executivos à frente da mobilização pela sustentabilidade. 

Na avaliação de participantes da reunião, o encontro foi positivo e "destravou o diálogo” entre empresários e governo na pauta ambiental. Causou boa avaliação a afirmação de Mourão de que resolver o desmatamento ilegal na Amazônia é “responsabilidade do governo”. 

Questão de Estado 

Os CEOs e executivos de companhias como Shell, Itaú, Marfrig e Cargill, entre outros, relataram que já percebem uma maior cobrança não só de potenciais clientes de seus produtos no mercado internacional, mas também de acionistas estrangeiros. 

Presidente do Itaú, Candido Bracher comparou o combate ao desmatamento na Amazônia ao combate à hiperinflação que havia no Brasil dos anos 1980, como um problema que transcende governos e precisa ser visto como uma questão de Estado.  

CEO da Marfrig, Marcos Molina sugeriu a adoção de um programa de rastreabilidade de 100% da carne bovina produzida no Brasil, o que seria resposta a eventuais barreiras de mercados internacionais. 

CEO da Suzano, Walter Schalka destacou que, do ponto de vista geopolítico, as empresas gostariam de ver o Brasil como uma “potência ambiental” e, para tanto, é preciso engajamento na agenda de proteção da mata nativa. 

Regularização fundiária

Mourão afirmou aos empresários apoiar o projeto de lei em discussão na Câmara que prevê a regularização fundiária na Amazônia, proposta que ainda é vista com desconfiança - os investidores internacionais questionaram o vice-presidente a respeito na reunião do dia anterior. Para Mourão, a medida precisa ser adotada por georreferenciamento - e não por fiscalização in loco - por envolver mais de 110 mil propriedades.

Além de Mourão, o governo foi representado no encontro pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Parte dos empresários sentiu falta dos demais titulares de pastas relacionadas ao tema, como Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Hamilton Mourão
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil