Empresas italianas veem Brasil como alternativa ao mercado chinês

Identificação cultural, mercado consumidor amplo e real desvalorizado atraem empresários do país europeu

Da CNN
15 de julho de 2020 às 09:48
 

Com a pandemia e as incertezas no mercado chinês, o Brasil vem ganhando atenção de empresas italianas. A desvalorização do real frente ao euro (que torna ativos brasileiros mais baratos para o europeu), o mercado amplo e a proximidade das culturas são os principais atrativos.

Em entrevista à CNN, Graziano Messana, presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura (Italcam), disse que os empresários estão olhando 'para a frente'. Ele afirmou ainda que os italianos reconhecem que o país é complexo burocraticamente, mas é culturalmente atrativo e barato para os investidores.

Leia também:

Aprovação de reformas pode fazer PIB crescer mais 18% até 2025, diz CLP

Afif vê 'chiadeira' do setor financeiro com imposto nos moldes da CPMF

"As empresas italianas sempre ficam de olho no mercado consumidor do Brasil, que é um mercado muito maior que o da Itália. O câmbio, neste momento, é muito interessante para o investimento, e empresas grandes anunciaram investimentos que fizeram com que a Itália fosse a primeira investidora do país, de acordo algumas estatísticas no Ministério da Economia", explicou.

Segundo Graziano, as 972 empresas italianas geram 150 mil empregos diretos no Brasil; e a relação cultural entre os países estreitam ainda mais os laços econonômicos. 

"Nós visitamos diversas empresas italianas aqui e sempre encontramos maquinários industriais dentro e com forte tradição em tecnologia - que é um grande investimento por parte de empresas brasileiras. Os setores de comida e moda são os que estão mais em destaque neste momento. Nos três últimos meses, empresas italianas tecnologicamente avançadas, como a Intimissimi (grife de moda íntima), cresceram 400%. "

E acrescentou: "O brasileiro é interessado não apenas no que é feito na Itália, mas também no design italiano", exemplificou o presidente.

Questionado sobre o que é preciso para que empresas italianas entrem para a disputa de leilões das concessões públicas brasileiras, Graziano ponderou. Em sua avaliação, é preciso que o governo federal dê garantias para situações de crise.

"A Covid-19 gerou incerteza em relação ao tráfego nos próximos meses. Recentemente conversamos com o ministro da Infraestrutura e questionamos a necessidade de colocar uma cláusula nos leilões para que se preservem os investimentos estrangeiros caso o tráfego [durante a pandemia] mude. Os empresários têm muito apetite, mas o governo brasileiro tem que dar certeza [para a execução efetiva do trabalho]", finalizou.