Recuperação econômica não será em 'V completo', diz Campos Neto

"Não sabemos o quão suave vai ser a segunda parte dessa retomada, mas não acreditamos que vai ser um V completo", disse o presidente do Banco Central

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
16 de julho de 2020 às 16:01
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: "Muito ainda precisa ser feito"
Foto: Raphael Ribeiro - 23.mar.2020/BCB

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que não acredita que a retomada econômica será completamente no formato V, com forte e rápida recuperação após a pandemia da Covid-19. "Podemos ver um começo de recuperação em V já, mas não sabemos o quão suave vai ser a segunda parte dessa retomada. Não acreditamos que vai ser um V completo", disse. 

Ele participou nesta quinta-feira (16) de debate virtual sobre as perspectivas para a economia brasileira e para o sistema bancário, promovido pelo banco Itaú.

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Campos Neto destacou ainda que apesar projeção oficial do BC de queda de 6,4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, a autoridade monetária tem um olhar de melhora. "Sabíamos desse viés de melhora, que ficou mais claro nas últimas semanas", comentou. 

Apesar de reconhecer que "muito ainda precisa ser feito", ele destacou dados positivos para o consumo no país e para o setor industrial e  disse estar otimista com a recuperação da economia brasileira. "Não podemos descuidar do fiscal. Seria bom mostrar o quanto antes que, apesar do desvio do caminho de convergência fiscal, terá um caminho para voltar a convergir ali na frente", analisou 

Novas medidas de crédito 

Campos Neto adiantou também que o governo federal pretende anunciar, ainda nesta quinta-feira (16), novas medidas de crédito para pequenas e médias empresas. "Vai sair por uma MP, provavelmente ainda hoje. Vai ter um alcance bom porque vai ter o componente de baratear o capital dos bancos", comentou. 

De acordo com ele, as novas medidas vem para complementar aquelas já anunciadas, mas que são insuficientes para suprir a demanda em meio a crise. "O Pronampe, por exemplo, é bom, mas é pouco diante do que precisa ser feito. Por isso, fizemos mais um grupo de medidas. São quatro medidas direcionadas para pequenas e médias empresas", comentou sem dar mais detalhes. 

Na avaliação do presidente do BC, a taxa de desemprego no Brasil vai aumentar ainda mais nos próximos meses antes de recuar. "Quando se faz o cálculo do que seria o padrão normal, o desemprego estaria maior do que está hoje. E ainda vai piorar antes de melhorar", observou. Segundo ele, a perda de empregos formais no país está subestimada pela menor procura por vagas de trabalho.

Pagamento por WhatsApp?

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a autarquia acertou com o WhatsApp que a operação de pagamentos da empresa seja aprovada o mais rápido possível, mas ressaltou que, para isso, precisa ver assegurados critérios ligados a segurança de dados e competição.

"Nós temos conversado com eles, acertamos aí uma posição de aprovar o mais rápido possível para que eles consigam operar, mas a gente precisa ter certeza que ele é barato, ele é eficiente, ele é aberto, ele é seguro para as pessoas", disse ele.

Campos Neto destacou que o WhatsApp entrou com pedido de aprovação, o qual entrará "num trilho de aprovação normal, como qualquer outro arranjo e vai ser aprovado como qualquer outro arranjo".

Ele avaliou ainda que, da forma como o negócio havia sido anunciado, o arranjo nascia com uma adquirente --a Cielo, que ele não mencionou diretamente. Segundo o presidente do BC, apesar de contratualmente não haver acerto de exclusividade, esse desenho tinha uma estrutura de custos que levava a desincentivo para mais adquirentes.

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