Comida na caixa e garrafa térmica individual: o almoço no escritório na pandemia


Kathryn Vasel, do CNN Business
19 de julho de 2020 às 07:00
 
Comida na caixa

Comida na caixa: almoço na empresa deve mudar após a pandemia

Foto: Toa Heftiba/Unsplash

Para muitas empresas, a comida desempenha um papel importante na cultura do trabalho.

Seja oferecendo almoço grátis todos os dias ou um mimo ocasional como pizza ou coffee breaks para comemorar uma conquista, ou ainda ao combinar uma reunião longa com um almoço servido no local, os empregadores costumam usar a comida para recompensar ou motivar suas equipes.

Mas os almoços no local de trabalho podem ficar bem diferentes quando os colaboradores retornarem aos escritórios físicos após a pandemia.

Um refeitório lotado, refeições em estilo bufê nas salas de conferências ou elevadores cheios de funcionários indo almoçar ao meio-dia não combinam com distanciamento social.

“Imagine 40 pessoas em uma fábrica tentando sair por uma pequena entrada, depois indo até o Chipotle [cadeia de comida mexicana fast-food] para enfrentar uma fila por 30 minutos. É algo muito inseguro”, exemplificou Diane Swint, chefe de marketplace da ezCater, que reúne empresas de catering corporativo. “Em um arranha-céu, não dá para ter todo mundo espremido num elevador.”

Almoço na caixa

Antes da pandemia, a Glassdoor, empresa que analisa empresas para os funcionários, servia um almoço diário em estilo bufê em sua sede. Também oferecia lanches e bebidas nas cozinhas comuns.

Mas agora o almoço será diferente quando os funcionários retornarem ao escritório.

“A comida provavelmente será embalada individualmente e distribuída por uma pessoa usando luvas e cobertura no rosto. E será colocada em mesas para os funcionários pegarem cada um sua refeição”, escreveu Rick Friedman, diretor sênior de experiência da Glassdoor.

Os lanches podem estar em caixas pré-embaladas, distribuídos duas vezes por dia. As bebidas ficarão em geladeiras com novos protocolos de segurança, incluindo o uso de álcool em gel para as mãos e toalhas de papel para abrir os refrigeradores.

“Também teremos placas para lembrar as pessoas da lei do ‘tocou, levou’”.

Na mesma linha, é provável que as garrafas térmicas de café de uso coletivo desapareçam. “Alguns empregadores já estão fazendo essa transição do café, tirando a cafeteira comum e oferecendo descontos ou vales em cafeterias próximas ou, ainda, fornecendo garrafas térmicas individuais para cada um trazer seu próprio café”, detalhou Angela Simpson, consultora de conhecimento de recursos humanos da Society for Human Resource Management (SHRM).

A executiva acrescentou que os refeitórios podem mudar para oferecer mais refeições pré-embaladas e almoços em sacolas de papel.

O Convene, um espaço de coworking com 30 endereços nos Estados Unidos, costumava oferecer bufês e estações de alimentos preparadas em suas cozinhas para reuniões e eventos de seus frequentadores. Agora, está servindo refeições embaladas individualmente.

Antes da pandemia, os usuários do coworking podiam pedir comida no aplicativo da Convene para ser entregue diretamente em suas mesas ou enviada a um local de coleta. Agora, eles recebem um alerta quando a refeição está pronta e ela é colocada em uma zona de coleta – com sinalização no piso – para minimizar o contato e a exposição.

Robôs na cozinha

Alguns locais de trabalho estão recorrendo a robôs para fornecer segurança alimentar. A Chowbotics, na Califórnia, viu um aumento na demanda por seu robô de alimentos frescos, chamado Sally, que pode preparar uma variedade de refeições frias, incluindo saladas, tigelas de cereais e iogurtes.

Antes da pandemia, hospitais pediam muito o serviço de Sally depois do horário do fechamento do refeitório. Agora, o robô está fazendo a reposição das saladas no refeitório, de acordo com o CEO Rick Wilmer.

Wilmer conta que o número de consultas que a empresa recebeu sobre os serviços de Sally quadruplicou em junho em relação a abril e maio.

Já a ezCater registrou um aumento de cinco vezes nos pedidos corporativos de refeições embaladas individualmente desde o final de março.

A empresa lançou recentemente um novo aplicativo, chamado Relish, que permite que os trabalhadores façam pedidos de comida em certos restaurantes. De acordo com a empresa, ao pedir usando uma única fonte, os elevadores lotados podem ser evitados e o número de entregadores também é reduzido, pois as refeições embaladas individualmente chegam em um espaço designado e em um horário especificado.

“As empresas podem escalonar a hora do almoço de uma maneira socialmente distante, marcando dois ou três horários para o almoço”, explicou Swint.