'Investback' e zero anuidade: XP começa testes para lançar cartão de crédito


Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
20 de julho de 2020 às 19:00
XP

Sede da XP Investimentos em São Paulo: cartão de crédito deve chegar a clientes em outubro

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

A XP Investimentos cria mais uma nova ofensiva contra os bancos tradicionais. Desta vez, a corretora de investimentos vai adicionar um produto ao seu portfólio: cartões de créditos. Os testes já começaram com mil funcionários e agentes autônomos usando o cartões. O lançamento para clientes está previsto para o último trimestre desse ano – possivelmente em outubro. 

O cartão de crédito da XP faz parte de sua estratégia para se tornar um banco de varejo com portfólio completo. A função débito também será lançada, mas somente no ano que vem.

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“É uma estratégia que vem por demanda dos nossos clientes. Eles querem, cada vez mais, uma solução completa. Será uma experiência suave, natural, dentro do aplicativo que o cliente já está acostumado a usar com investimentos. Ele (cliente) vai perceber que não precisa ter conta em qualquer (outro) banco”, disse Bruno Constantino, CFO da XP.

O cartão não terá anuidade. Segundo a empresa, a contrapartida para essa isenção é o relacionamento com seus clientes. Segundo o CFO da XP, o lançamento da solução foi antecipado em três meses.O desenvolvimento do cartão se deu em parceria que já dura um ano com a Visa.

Cartão XP Investimentos

Cartão da XP, que será lançado no último trimestre de 2020

Foto: XP/Divulgação

Investback

A solução da XP se apresenta como uma alternativa ao cashback, já que conta com uma funcionalidade batizada de "Investback", que converte parte dos gastos em uma aplicação num fundo da empresa. Esse fundo investe principalmente em títulos públicos.

A ideia do investback, segundo Constantino, tem caráter educativo. Segundo o executivo, o objetivo é “trazer o conceito de investimento para próximo do gasto. Podemos até ajudar o cliente a gastar menos para atingir seus objetivos de longo prazo”.

A liquidez do fundo exclusivo para o produto será diária, o que significa que os clientes podem resgatar o dinheiro ali investido a qualquer momento sem perder dinheiro.

Os juros do crédito rotativo serão mais baixos que as taxas praticadas pelos grandes bancos, garantiu Bruno Constantino, CFO da XP. Um dos fatores que permite à empresa cobrar taxas menores é que o crédito terá garantia nos investimentos dos clientes.

Quem pode pedir o cartão

Toda a base de clientes ativos da XP poderá pedir o cartão que será lançado no fim do ano. Aqueles que abriram contas e não fizeram aportes não são considerados clientes ativos e, portanto, não terão direito ao cartão enquanto não tiverem movimentação na conta.

“Meu palpite é que todos vão querer. O cartão tem uma experiência muito suave e não cobra absolutamente nada. Imagino que todos os clientes vão pedir o seu”, disse Constantino.

Caminho para outros produtos

O cartão de crédito dá à empresa a possibilidade de evolução do produto. A companhia pode oferecer aos clientes tipos diferentes de investimentos para o investback de acordo com o perfil de cada um. “Com o tempo podemos evoluir com nosso ecossistema de fundos, já que temos praticamente todos na nossa plataforma. Podemos evoluir de acordo com a vontade dos clientes para ter produtos direcionados”, disse Bruno Constantino.

Um dos exemplos de como expandir esse produto é pensar em previdência privada, em fundos de menor liquidez, mas rendimento maior, pensando na aposentadoria dos clientes.

A XP tem a intenção de tomar o lugar dos grandes bancos na vida dos clientes. Inclusive, já entrou em uma guerra aberta com o seu principal acionista, o Itaú. Para isso acontecer, planeja lançar uma conta digital, à exemplo de grandes fintechs, como Banco Inter e Nubank.

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