Marketing no Instagram e edição de vídeo: as habilidades procuradas na pandemia


Marcelo Sakate, do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de julho de 2020 às 07:00
Mulher no computador: cresce o interesse por cursos em plataformas digitais

Mulher usa o computador: cresce o interesse por cursos em plataformas digitais com a pandemia

Foto: Tran Mau Tri Tam/Unsplash

A quarentena forçada abriu uma janela de oportunidades para o conhecimento. Confinadas em casa, muitas pessoas passaram a buscar novas habilidades, seja para uso profissional ou por interesse pessoal. Teve gente que escolheu aprender a tocar um instrumento, a administrar suas finanças ou a trabalhar com algum programa ou aplicativo.  

É um mercado global de cerca de US$ 190 bilhões, segundo dados da Research and Markets, que já tinha uma previsão de crescimento de quase 10% ao ano até 2025 antes mesmo da pandemia.

No Brasil, cursos de marketing para o Instagram e de edição de vídeos tiveram o dobro da procura desde o início do isolamento social, em meados de março; nos Estados Unidos, o interesse por fotografia subiu 126%; na Itália, cursos para tocar violão saltaram 431%; e, na Alemanha, matrículas para scrum (metodologia ágil para gestão de projetos) triplicaram em relação ao pré-crise.

São informações reveladas pela Udemy, a maior plataforma de aprendizado online do mundo, com mais de 150 mil cursos. É um raio-x do interesse das pessoas pelo aprendizado no mundo.

No Brasil, as matrículas praticamente dobraram (+95%) nos meses de isolamento social.

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"Muitos dos temas de cursos que passaram a ser mais procurados são voltados para a nova realidade do trabalho: como usar o Zoom (programa para reuniões em vídeo), como fazer o gerenciamento de times virtualmente e como fazer apresentações virtuais, entre outros", disse Sérgio Agudo, diretor-geral da Udemy para a América Latina e o Brasil, ao CNN Brasil Business.

O interesse se refletiu no aumento da demanda pela ferramenta Udemy for Business, plataforma voltada para empresas. No mundo, as matrículas subiram cerca de 80%.

Mas o crescimento da demanda abrangeu tanto as tech skills como as soft skills. No primeiro caso, de habilidades ligadas à tecnologia, a alta global foi de 46% para cursos de TensorFlow (uma plataforma de código aberto para machine learning) e de 60% para Chatbots (programas que simula conversas humanas em chat).

Já no campo das habilidades comportamentais, o número de matrículas no mundo cresceu 206% para cursos voltados para a mentalidade de crescimento (tradução livre de Growth Mindset) e 119% para os que ajudam a desenvolver o foco nas pessoas. Cursos de mindfulness também tiveram alta na procura. No Brasil, as matrículas em cursos de desenho deram um salto de 84%.

Mas, apesar do forte crescimento de novos temas no país, os cursos que já estavam entre os mais vendidos antes da pandemia conseguiram manter a preferência. São eles os de Excel, Power BI (plataforma de business intelligence), design gráfico e marketing digital.

Cursos gratuitos

Um fenômeno do início da quarentena foi a explosão da procura por cursos gratuitos na Udemy, a tal ponto que a empresa teve que investir em novos servidores para dar conta do aumento do tráfego. Muitos instrutores decidiram naquele momento e em caráter excepcional não cobrar por seus cursos, o que provocou picos de demanda não só no Brasil como em outros países. 

Agudo conta que o número de matrículas é muito mais elevado nos gratuitos, mas com engajamento menor em relação aos pagos. Há semelhanças com o conteúdo mais procurado pelos alunos pagantes, como os cursos de Excel, embora os interesses acabem sendo mais variados.

Para selecionar os cursos que puderam entrar na página do conteúdo isento de cobrança, o executivo conta que a Udemy fez uma seleção levando em conta uma espécie de nota de corte a partir das avaliações dos alunos, a demanda apresentada e a relevância dos temas.

O desafio da recolocação

O diretor da Udemy afirma que a demanda pelo aprendizado nos próximos meses poderá ser guiada em parte pela necessidade de recolocação para milhares e milhões de trabalhadores que já perderam o emprego na crise. E que possuem condições de manter o acesso à internet.

"Acredito que haja uma procura maior por habilidades que ajudem a pessoa a conseguir um emprego mais rapidamente", afirma Agudo. "Um curso de marketing no Instagram, por exemplo, pode ajudar a pessoa a conseguir um 'frila' que permita atravessar a crise até que o mercado de trabalho melhore." 

Ele cita esse curso de marketing e o de edição de vídeo como exemplos de conteúdo que devem se manter entre os mais ofertados e procurados no médio prazo, uma vez que a pandemia acelerou a digitalização dos negócios.

É um momento e uma oportunidade que a Udemy pretende aproveitar. A companhia acaba de lançar a sua primeira campanha na TV no Brasil, como parte de uma estratégia para ampliar o seu alcance no país. A ideia da campanha tem a ver com o objetivo de tentar atrair o público desconectado, uma vez que boa parte de quem aprende online já é familiarizada com a plataforma.

Outro fenômeno que a pandemia trouxe foi o crescimento acelerado da oferta. Desde o início da crise, houve um aumento de 50% no número de cursos na plataforma. "O ensino online está muito em evidência. As pessoas perceberam que podem ganhar dinheiro vendendo conteúdo", diz Agudo.

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