Ibovespa sobe mais de 2% e volta aos 104 mil pontos; dólar cai a R$ 5,15

Moeda americana teve desvalorização no mundo todo. Bolsa brasileira foi influenciada por bom humor nos Estados Unidos

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
27 de julho de 2020 às 09:22 | Atualizado 27 de julho de 2020 às 18:09

Foto: M. B. M./Unplash

O Ibovespa começou a semana com forte alta. Nesta segunda-feira (27), o principal índice da bolsa brasileira avançou 2,05%, aos 104.477,08 pontos

A alta foi influenciada pelo bom humor do mercado dos Estados Unidos, onde investidores esperam um pacote de estímulos de US$ 1 trilhão. 

Já o dólar recuou ante o real em um dia de perdas diante de várias moedas do mundo. A desvalorização ante a moeda brasileira foi de 0,94%, fechando o dia a R$ 5,15. Na máxima da cotação, alcançada pela manhã, a moeda foi a R$ 5,22 (+0,35%).

A possibilidade de aprovação de estímulos em um projeto de US$ 1 trilhão nos Estados Unidos foi a principal pauta do mercado financeiro hoje. No domingo, o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, disse acreditar que republicanos e democratas podem trabalhar rapidamente para aprovar o pacote. 

Amanhã, o Federal Reserve começa sua reunião de política monetária de dois dias, o que deixava os operadores em modo de espera. A expectativa é que o Fed reforce uma postura favorável a uma política monetária estimulativa, o que também deixa investidores animados. 

"Enquanto a Covid-19 estiver por perto justificando essa postura e enquanto a reeleição estiver no radar de Trump, parece que 'estímulos' continuará sendo a palavra da vez", disse Cristiane Fensterseifer, analista de ações da Spiti.

Para Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, devemos esperar volatilidade do câmbio nos próximos dias. "A semana promete forte amplitude e volatilidade com a divulgação do pacote trilionário norte-americano e diante de eventos e indicadores de peso a serem conhecidos ao longo desta semana", 

No Brasil, o mercado aguarda o início de uma bateria de divulgação de resultados. Vale, Petrobras, Bradesco, Ambev, Carrefour e Pão de Açúcar estão entre as empresas que divulgam balanços trimestrais nos próximos dias, o que certamente terá imapcto no movimento do Ibovespa. 

A alta da bolsa brasileira vem após o Ibovespa acumular a primeira perda semanal desde março na última sexta-feira, de 0,49%. 

Destaques 

As preferenciais de Itaú (5,02%) e Bradesco (4,59%) fecharam o pregão em alta. Para o Bradesco BBI, os resultados do segundo trimestre devem mostrar que o período foi o ponto mais baixo para os bancos privados. O Banco do Brasil ganhou 2,83%, após pedido de demissão do presidente-executivo Rubem Novaes, na sexta-feira.

Entre as maiories altas, a Usiminas avançou 7,15%, seguida por CSN e Gerdau, em meio a sinais de recuperação nas vendas internas e exportações de aço, com entidade do setor avaliando que o "fundo do poço" foi em abril. A Vale valorizou-se 4,73%. Com exceção de Gerdau, as demais reportam seus resultados nesta semana.

A WEG subiu 5,06%, renovando cotação recorde de fechamento, a R$ 69,95. O JPMorgan elevou a recomendação dos papéis para 'overweight', com alta do preço-alvo de R$ 60 para R$ 76, um 'upside' de cerca de 14% em relação ao fechamento de sexta-feira.

O Carrefour avançou 3,54%, antes de balanço do segundo trimestre que deve sair ainda nesta segunda. Analistas do Safra esperam continuidade da boa execução na divisão de varejo, impulsionada por hipermercados, enquanto o Atacadão registra crescimento de quase dois dígitos na receita.

As preferenciais da Petrobras subiram 2,07% enquanto as ações ordinárias avançaram 1,89%, ajudadas pela melhora dos preços do petróleo no exterior, enquanto agentes financeiros aguardam o balanço da petrolífera nesta semana.

A Via Varejo caiu 3,22%, na terceira baixa seguida, após renovar recorde de fechamento na última quarta-feira, a R$ 21,29. No ano, o papel ainda acumula alta de 69%.

Lá fora

Expectativas com a aprovação de um pacote de estímulos trilionário e com a reunião do Fed fizeram os índices norte-americanos apresentarem alta nesta segunda-feira. 

O Nasdaq teve maior crescimento entre os principais indicadores do país, com alta de 1,82%. O Dow Jones cresceu 0,43% e o S&P avançou 0,73%. O resultado positivo vem depois de queda em todos os principais mercados do exterior na sexta-feira. 

Os índices acionários da China fecharam em alta nesta segunda-feira após dados mostrarem que a recuperação econômica do país continua a ganhar força, embora as tensões com os Estados Unidos tenham limitado os ganhos.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,51%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,26%.

Já as ações europeias caíram nesta segunda-feira, com os papéis de turismo liderando o declínio depois que o Reino Unido impôs uma quarentena de duas semanas para viajantes que retornem da Espanha após um aumento nos casos de coronavírus no país.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,27%, a 1.426 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,31%, a 366 pontos, ampliando as perdas depois de ter registrado sua primeira queda semanal em quatro na sexta-feira.

O setor de turismo e lazer caiu 3,4%, com as companhias aéreas baseadas no Reino Unido e operadoras turísticas como TUI, Easyjet, e IAG, dona da British Airways, perdendo entre 6% e 11,3%.

*Com informações da Reuters

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