Inflação e auxílio emergencial: qual o sentido de uma nota de R$ 200?


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
29 de julho de 2020 às 17:17 | Atualizado 02 de setembro de 2020 às 14:53

O anúncio do Banco Central (BC) pegou muita gente de surpresa e fez a internet parar. O Twitter, por exemplo, não fala de outra coisa além da criação da nota de R$ 200 e a escolha do lobo guará para ser o animal símbolo da cédula.

Um dos motivos dados pelo BC, é que aumentou (e muito) o número de papel moeda nas mãos da população. A razão? O auxílio emergencial que liberou R$ 600 para milhões de brasileiros. Não por acaso, por causa de toda essa demanda, o Ministério da Economia tinha informado que o BC já havia solicitado um reforço de R$ 437,9 milhões no caixa para realizar o pagamento. O fato de parte da população deixar o dinheiro guardado em casa também foi preponderante para a decisão.

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"Isso não é um fenômeno do nosso país, e a crise gerou um aumento expressivo de demanda nas casas impressora", disse Carolina de Assis Barros, diretora de administração do BC. "O BC está agindo previamente para possível aumento de demanda de numerário por parte da população. Com essa nova cédula, vamos poder reduzir custos de logística e distribuição de numerário pelo país." 

Além disso, o BC quer criar uma cédula que possua um poder de compra maior do que a de R$ 100, que perdeu (e muito) valor de 1994 para cá. Um dos motivos é a inflação no período. Para se ter uma ideia, R$ 100 em 1994 valem o equivalente a R$ 621 de hoje.

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Também existe o fator câmbio: o governo também quer criar uma cédula que facilite a troca com outras moedas estrangeiras. Em 1994, por exemplo, R$ 100 equivaliam o mesmo do que US$ 100 (um dos motivos foi a adoção do câmbio fixo como um dos pilares do Plano Real). Hoje, a mesma nota não chega nem a US$ 20 – US$ 19,50 para ser mais exato. A desvalorização do real também contribuiu para esse cenário.

O BC comparou as moedas mais valiosas em circulação até hoje. Na Europa, por exemplo, há uma nota de € 200 (o equivalente a US$ 232), mas que parou de ser emitida em 2019. Por lá, já chegou a circular uma de € 500.

Além dos Estados Unidos (que tem a cédula de US$ 100 como a sua maior), o BC comparou o valor da nota de R$ 200 com as mais valiosas de outros países. No Canadá, por exemplo, a nota limite é de 100 dólares canadenses (US$ 75), já no Reino Unido são 50 libras (US$ 64).

Dos latinos comparados, apenas o México tem uma nota maior em valor do que o Brasil – 1000 pesos mexicanos (US$ 45) –, enquanto Colômbia tem uma cédula de 100.000 pesos colombianos (US$ 27) e os hermanos argentinos possuem a nota de 1.000 pesos (US$ 14).

O design da nota, esperado pela internet e por todos os brasileiros, não foi divulgado. 

A nova cédula, equivalente a aproximadamente US$ 39, deverá entrar em circulação no final de agosto. A previsão é que sejam impressas 450 milhões de cédulas de R$ 200 ainda em 2020, equivalente a R$ 90 bilhões. 

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