CEOs de Amazon, Apple, Facebook e Google depõem nos EUA; veja como foi


Brian Fung, da CNN*
30 de julho de 2020 às 00:27 | Atualizado 30 de julho de 2020 às 00:34
Facebook, Google, Amazon e Apple

Facebook, Google, Amazon e Apple

Foto: Reuters

As figuras mais poderosas da tecnologia no mundo ficaram sob escrutínio do Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (29). Os testemunhos duraram mais de cinco horas, com congressistas levantando questionamentos acerca das táticas de competição de mercado e de prevenção de discursos de ódio nas redes sociais. 

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Dos titãs da tecnologia, que incluíram os CEOs da Amazon , Apple, Facebook e Google, alguns se saíram melhor do que outros nas primeiras horas da audiência.

Jeff Bezos, CEO da Amazon, reconheceu que a Amazon pode ter usado indevidamente dados de terceiros para informar suas próprias decisões sobre produtos - uma preocupação importante sobre a abordagem da empresa à concorrência.

O CEO da Apple, Tim Cook, por outro lado, se saiu consideravelmente bem. Apesar de algumas perguntas iniciais sobre se a Apple favorece determinados desenvolvedores em sua App Store, houve relativamente poucas perguntas sobre as diretrizes da Apple para desenvolvedores, que têm sido a principal reclamação entre os críticos.

Por mais de um ano, os principais legisladores do Congresso investigam os quatro gigantes da tecnologia para determinar se as empresas abusaram de seu poder e domínio no mercado online. O evento desta quarta (29) marcou o culminar desse processo e é a maior audiência do gênero desde que Bill Gates, da Microsoft, foi para Washington em 1998.

Jeff Bezos tem uma primeira aparição no Congresso

Dos quatro CEOs presentes na audiência, o testemunho de Bezos foi sem dúvida o mais esperado, já que a pessoa mais rica do mundo nunca havia comparecido ao Congresso.

Depois de evitar questionamentos durante as primeiras duas horas da audiência, Bezos apresentou várias questões precisas sobre a abordagem da Amazon em relação a preços, aquisições e como ela usa dados de vendedores de terceiros.

Bezos reconheceu que existe uma política que proíbe o uso de dados de terceiros para apoiar os negócios de marca própria da Amazon. Mas ele admitiu: "Não posso garantir que a política nunca foi violada".

Em vários momentos da audiência, Bezos disse que não podia responder à pergunta ou não se lembrava do incidente sobre o qual estava sendo interrogado.

Aquisição de bilhões de dólares do Instagram pelo Facebook entra em escrutínio

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi confrontado com os e-mails internos da empresa que ele enviou em 2012 sobre a compra do Instagram. Os e-mails foram adquiridos pelo Comitê Judiciário da Câmara como parte de sua investigação.

Em um e-mail, Zuckerberg disse que o Instagram pode ser "muito perturbador" para o Facebook. Um e-mail do diretor financeiro do Facebook referenciou a neutralização de um possível concorrente, que Zuckerberg respondeu que fazia parte da motivação.

O representante Jerry Nadler disse que os e-mails mostraram que o Facebook via o Instagram como uma ameaça e, em vez de competir com ele, sua empresa o comprou.

Em resposta, Zuckerberg não negou que via o Instagram como uma ameaça, mas apontou que o acordo foi aprovado pela Federal Trade Commission na época.


Sob fogo, CEOs de tecnologia apelam ao patriotismo americano

Todos os executivos de tecnologia procuraram reforçar o ponto de que suas empresas são da América, para a América.

Bezos fez referência à "confiança" que os americanos têm na Amazon. "Precisamos que os trabalhadores americanos entreguem produtos a clientes americanos", disse ele em suas observações preparadas.

"A Apple é uma empresa exclusivamente americana, cujo sucesso só é possível neste país", disse Cook em suas declarações, divulgando o número de empregos nos EUA que ajudou a criar.

E a batalha dos EUA com a China pela supremacia tecnológica fez parte do argumento de Zuckerberg.

"Se você observar de onde vêm as principais empresas de tecnologia, há uma década a grande maioria era americana", disse o CEO do Facebook. "Hoje, quase metade são chineses".

(Tradução de Carolina Figueiredo, sob supervisão de Diego Freire. Leia a reportagem original aqui)