Heineken aposta em startup que liga bar a consumidor para crescer mais no país

Grupo holandês, que vendeu 50% a mais de sua principal cerveja no Brasil no semestre, adota estratégia global de ampliar canais de distribuição

Marcelo Sakate, do CNN Brasil Business, em São Paulo
06 de agosto de 2020 às 07:00
Cervejas da Heineken
Garrafas da Heineken: vendas da marca cresceram 50% no Brasil no semestre a despeito da pandemia
Foto: Christian Gertenbach/Unsplash

Com bares e restaurantes fechados ou funcionando com horários reduzidos e cheios de restrições, a Heineken decidiu reforçar o investimento em plataformas que facilitem a venda dos estabelecimentos diretamente para o consumidor brasileiro. 

A cervejaria holandesa fechou uma parceria com a startup Goomer e lançou uma plataforma digital que permite que as pessoas façam pedidos diretamente para pequenos bares e restaurantes, dispensando a intermediação de aplicativos de entrega, como iFood, Rappi e Uber Eats, e as taxas que eles cobram. 

Não que a companhia esteja abrindo mão da parceria com os apps de entrega, mas decidiu oferecer um canal a mais para chegar ao consumidor final. 

O GoomerGo já tem mais de 47 mil estabelecimentos cadastrados.

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Por meio da plataforma, bares e restaurantes conseguem montar um cardápio online que fica disponível para o cliente, que monta o pedido e escolhe retirar no local ou a entrega. A ordem chega ao dono do negócio pelo WhatsApp.  

O delivery fica por conta do próprio bar ou restaurante, assim como a cobrança. A startup negocia a oferta de um meio de pagamento para o cliente, mas a solução ainda não está disponível. 

“Montamos um grupo de trabalho para implementar ações que apoiem os estabelecimentos que estão sentindo o impacto da pandemia, especialmente os microempreendedores”, diz Jussara Calife, diretora da Heineken no Brasil. 

Os resultados do segundo trimestre sinalizam que a estratégia ajudou a sustentar a trajetória de forte crescimento da marca no Brasil mesmo com a pandemia e o fechamento do setor de serviços. A Heineken atingiu no período a sua maior participação no país, que em 2019 se tornou o seu principal mercado no mundo. 

As vendas em volume das marcas principais da cervejaria, a própria Heineken e a Amstel, cresceram na casa de dois dígitos (acima de 10%). A expansão das vendas da cerveja Heineken ficou perto de 50% no país de janeiro a junho. A alta ajudou a evitar um resultado global pior: a retração no período ficou em 2,5%. 

Estratégia global

O lançamento do GoomerGo se insere em uma estratégia global de digitalização dos canais de venda. A pandemia acabou acelerando mudanças de comportamento dos consumidores, destacou a cervejaria holandesa no relatório trimestral. 

O grupo já possui plataformas digitais que fazem a ligação com empresas (B2B) em 24 mercados. E diretamente com o consumidor em 17 países.  

Na Europa, a sua plataforma Beerwulf teve mais de 3 milhões de visitantes no segundo trimestre, dos quais a metade pela primeira vez. As vendas de cervejeiras das marcas SUB e Blade – não disponíveis no Brasil – mais que dobraram.  

O Six to Go, site do grupo no México, teve um número de pedidos de consumidores dez vezes maior no primeiro semestre do que no ano passado inteiro. 

Redes varejistas brasileiras vendem há alguns anos no país uma cervejeira da Heineken fabricada pela Krups, mas sem participação direta do grupo holandês. 

Questionada pelo CNN Brasil Business, a Heineken não quis comentar se tem planos de lançar uma plataforma para vender diretamente ao consumidor no Brasil, a exemplo do que faz na Europa e no México e da estratégia adotada pela sua principal concorrente no país. 

A Ambev, líder do mercado doméstico, colhe os frutos de suas plataformas que vendem diretamente ao consumidor há alguns anos. Ela é a dona do Empório da Cerveja e do Zé Delivery, que registrou 5,5 milhões de pedidos no trimestre. Foi um crescimento de 260% em relação ao ano anterior, segundo a companhia.

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