Apesar de reabertura da economia, 6 em cada 10 empresas estão cautelosas

Levantamento da Boa Vista aponta que 77% das empresas relataram forte retração das vendas

Do Estadão Conteúdo
11 de agosto de 2020 às 09:46 | Atualizado 11 de agosto de 2020 às 09:54
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Foto: Rovena Rosa - 26.mar.2020/Agência Brasil

O cenário ainda é de cautela e pouco otimismo por empresários brasileiros. É o que retrata pesquisa da Boa Vista, empresa de análise de crédito.

Cinco meses após o início da crise ocasionada pelo novo coronavírus, 57% das empresas disseram acreditar que levarão seis meses ou mais para recuperação dos negócios.

Conforme o levantamento, a forte retração das vendas (77%) reflete negativamente no faturamento de 78% das empresas e de 76% no fluxo de caixa.

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Mesmo com a crise provocada pela pandemia de Covid-19, 59% das firmas informaram que não demitiram. Em contrapartida, somente 3% das empresas contrataram e 38% reduziram o quadro de funcionários. Isso ocorreu principalmente na indústria e nas médias e grandes empresas.

Segundo o setor empresarial, as principais ações para diminuição desse quadro foram demissão (50%), suspensão temporária de contrato (26%) e redução da jornada (24%).

De acordo com a pesquisa, em média, 45% das empresas estão pagando apenas parte de seus compromissos. "Os micro e pequenos empresários são os que mais vêm sofrendo esse impacto, pois o fluxo de caixa dos mesmos é naturalmente menor", destaca a nota.

Crédito difícil

Durante a pandemia, 39% das empresas, em média, recorreram a apoio financeiro, inclusive em mais de uma instituição. Segundo a sondagem, os bancos privados foram os mais procurados (40%), seguidos de instituições públicas (21%) e procura por familiares e amigos (14%).

Para 49% dos empresários, houve sucesso na busca por crédito ou estão em vias de receber o pedido solicitado. Ainda assim, ressalta a Boa Vista, quase metade não obteve sucesso nessa busca, o que equivalente a 51% de todo o universo pesquisado.

Os entrevistados argumentaram desconhecimento dos programas do governo (24%) e exigências impostas (23%), principalmente aquém das possibilidades, sobretudo das pequenas e médias empresas (PMEs).

Para 38% das empresas que adquiriram empréstimo, os recursos serão destinados para alavancar o capital de giro e 37% disseram que o destino será o pagamento de dívidas.

"Mesmo conseguindo o crédito, para 78% das empresas, o valor concedido será insuficiente para cobrir todas os compromissos financeiros."

Foram ouvidos 1.260 empresários dos setores indústria, comércio e serviços.

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