McDonald's processa ex-CEO por mentir sobre relações sexuais com funcionárias

Gigante da alimentação movimenta ação de mais de US$ 40 milhões

Cristina Alesci e Danielle Wiener-Bronner, da CNN
11 de agosto de 2020 às 14:04
O ex-CEO do McDonald's, Stephen Easterbrook
Foto: Reuters

O ex-CEO do McDonald's, Steve Easterbrook, mentiu ao conselho da companhia sobre a extensão de seu relacionamento com funcionárias, segundo revelou a empresa em um novo processo. O executivo teria
enganado os investigadores sobre o envolvimento em relações sexuais com três funcionárias no ano anterior à sua demissão, de acordo com os documentos.

Agora, o McDonald's está processando Easterbrook pelo mesmo valor de sua rescisão: mais de US$ 40 milhões. A companhia cortou laços com Easterbrook em novembro de 2019.

Na época, o conselho de administração do McDonald's disse que o executivo teria violado a política da empresa e havia “demonstrado mau julgamento” ao se envolver em um relacionamento consensual com uma funcionária.

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Em documentos apresentados na manhã de segunda-feira (10), o McDonald's disse que uma investigação interna encontrou outras relações e evidências de que Easterbrook havia mentido e destruído evidências para esconder o fato. 

As provas também oferecem mais detalhes sobre o incidente que o conselho do McDonald's mencionou ao revelar a saída de Easterbrook: um relacionamento com uma funcionária baseado em sexting (troca de mensagens de texto com conteúdo sexual). 

“A investigação confirmou que a suposta relação havia ocorrido e revelou que se tratava de uma relação consensual não física envolvendo mensagens de texto e videochamadas”, segundo a denúncia da época, que acrescentou que a relação durou algumas semanas.

O documento alega que Easterbrook disse que esse relacionamento era “o único de natureza íntima” que ele já havia mantido com uma funcionária. Naquele mesmo período, ele afirmou também que jamais tivera uma relação sexual com alguém que trabalhasse para ele.

No entanto, o McDonald's reabriu a investigação depois de receber um relatório anônimo em julho alegando que Easterbrook teve uma relação sexual física com uma funcionária enquanto era CEO. De acordo com o relatório, o executivo também teria enganado os investigadores sobre suas relações sexuais físicas com três funcionárias no ano anterior à sua demissão.

A evidência dessas relações, segundo o processo, veio na forma de “dezenas de fotos e vídeos de nus, nus parciais ou imagens sexualmente explícitas de várias mulheres”, que incluíam fotos das três funcionárias. O ex-CEO teria enviado as fotos e vídeos como anexos de e-mails de seu trabalho para sua conta pessoal.

A investigação também descobriu que Easterbrook “aprovou uma concessão extraordinária de ações, no valor de centenas de milhares de dólares, para uma dessas funcionárias enquanto os dois mantinham um relacionamento sexual”, e que ele mentiu para os investigadores do McDonald's no ano passado.

A empresa alega que, ao mentir para o conselho, Easterbrook os levou a acreditar que sua demissão poderia ser considerada “sem justa causa”. Segundo o processo, o conselho havia decidido usar esse termo, dando a Easterbrook alguns benefícios ao sair da empresa.

Entre os termos de sua demissão, foi prometido a Easterbrook o equivalente a 26 semanas de salário como indenização por dispensa sem justa causa, além de bônus rateados conforme o prazo de garantia.

Esses benefícios totalizaram cerca de US$ 42 milhões, de acordo com a consultoria externa Equilar.
Easterbrook assumiu a função de CEO em 2015. Ele foi substituído em novembro por Chris Kempczinski, que na segunda-feira (10) enviou uma carta aos funcionários comentando o processo.

“Recentemente, tomamos conhecimento, por meio de um relatório de um funcionário, de novas informações sobre a conduta de nosso ex-CEO, Steve Easterbrook. Agora sabemos que sua conduta se desviou de nossos valores de maneiras diferentes e muito mais amplas do que sabíamos quando ele
deixou a empresa no ano passado”, escreveu. “O McDonald's não tolera comportamento de nenhum funcionário que não reflita nossos valores.”

Em um e-mail enviado aos funcionários do McDonald's no momento de sua saída, Easterbrook lamentou o relacionamento. “Quanto à minha saída, recentemente tive um relacionamento consensual com uma funcionária, o que violou a política do McDonald's", escreveu Easterbrook.

“Isso foi um erro. Dados os valores da empresa, concordo com o conselho de que é hora de sair e seguir em frente. Além disso, espero que vocês possam respeitar meu desejo de manter minha privacidade”. À época, o executivo também disse que seus anos como CEO “foram os mais gratificantes” de sua vida profissional.

A CNN está em contato com o advogado de Easterbrook para ouvir o posicionamento dele.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)

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