Salim Mattar, após pedir demissão: 'A política não tem interesse em privatizar'


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
11 de agosto de 2020 às 22:12 | Atualizado 11 de agosto de 2020 às 22:38

O empresário Salim Mattar anunciou nesta quarta-feira (11) a saída da secretaria de Desestatização e Privatizações do governo Jair Bolsonaro.

Em entrevista à CNN, Mattar confirmou a versão do agora ex-chefe, o ministro Paulo Guedes, de que sai por incômodo com o ritmo lento das vendas de empresas pela União, e que a lentidão se deve à classe política, que não teria boa vontade com a desestatização.

"O fato que aconteceu é como o próprio ministro já disse: Quem dita tudo isso é a política. A política não tem interesse de privatizar, por isso que está lento o processo", disse o empresário em entrevista ao âncora William Waack e à analista Raquel Landim.

Mattar negou estar "frustrado", se dizendo satisfeito com as vendas de subsidiárias e empresas coligadas às estatais, que renderam, segundo ele, R$ 150 bilhões aos cofres público. O problema, diz o empresário, foi a dificuldade de se adaptar ao trabalho no setor público, onde, "quando você vai privatizar, mexe no conflito de interesses".

"O establishment não deseja que aconteça privatizações, então dificulta o processo", afirma, sem citar nomes.

"O mundo de governo é muito diferente do mundo da iniciativa privada. As lógicas são diferentes, o tempo é diferente. Nós da iniciativa privada normalmente temos dificuldade de nos adaptar ao tempo, à lentidão da burocracia estatal."

A título de exemplo, ele diz que os Correios poderiam ser vendidos entre 60 e 90 dias, se fossem uma empresa privada, mas que como trata-se de uma estatal, esse prazo sobe para 28 meses. 

Apesar da saída, o ex-secretário diz que continua apoiando a equipe econômica. "A primeira coisa é que eu gostaria de deixar claro é que eu estou deixando o governo, mas não estou deixando de apoiar a pauta do presidente Bolsonaro e do ministro Guedes", afirma.

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O empresário também disse considerar normal saída de peças da equipe no decorrer da administração.

"Não é obrigada uma pessoa que entra no primeiro dia de governo, como é o meu caso, ficar até o último dia de governo. É normal que exista troca, substituição, oxigenação das equipes, que exista mudanças. Alguém por frustração pode sair, mas não é o meu caso", argumenta.

Salim Mattar não foi o único a deixar a equipe econômica nesta terça-feira. O secretário de Desburocratização, Paulo Uebel, também pediu demissão do cargo, junto com um diretor da sua equipe, José Antonio Ziebarth. No caso de Uebel pesou a demora do governo em enviar ao Congresso a reforma administrativa, que reduz o ritmo de crescimento dos gastos com os servidores públicos.