Stone e Linx negociam fusão e ações das empresas fecham em forte alta

Segundo as companhias, o negócio está “em tratativas finais visando uma possível combinação de negócios” – ações da Linx chegaram a subir 33% e da Stone, 14%

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
11 de agosto de 2020 às 15:05 | Atualizado 11 de agosto de 2020 às 18:56
Escritório da Stone: ações da empresa disparam 14% na bolsa de Nova York com o anúncio
Foto: Divulgação/LinkedIn Stone

As empresas Stone, de meios de pagamento, e Linx, de tecnologia, estão negociando uma fusão, segundo fato relevante divulgado pelas empresas no início da tarde desta terça-feira (11). Segundo as companhias, o negócio está “em tratativas finais visando uma possível combinação de negócios”.

Ainda de acordo com as empresas, “não há, neste momento, nenhum documento vinculativo” a respeito dessa transação, e, portanto, não há garantia de que uma potencial operação seja concluída”.

Porém, foi o suficiente para as ações das empresas dispararem na bolsa. A Linx fechou em alta de 31,5% e a Stone subiu 11%. Agora, a Linx é avaliada em R$ 6,2 bilhões, enquanto a Stone tem valor de mercado de US$ 14,5 bilhões.

Leia também:
BC quer participação de todos os bancos no PIX para ter competição, diz diretor

No primeiro trimestre deste ano, a Stone, que é conhecida pelas suas maquininhas de pagamento verdes, teve uma alta de 34% em comparação ao mesmo período do ano passado, a R$ 717 milhões. Em volume de pagamentos, a empresa movimentou R$ 37,6 bilhões, 42% a mais do que entre janeiro e março de 2019.

Já a Linx é uma empresa de tecnologia especializada no setor de varejo. No primeiro trimestre, registrou uma receita de R$ 208 milhões, alta de 18% em relação a 2019.

Oportunidades com a fusão

Analistas do Bradesco BBI veem a junção dos negócios entre as duas empresas com bons olhos – desde que tomada as devidas precauções.

Segundo a equipe do banco, a Linx possui alto valor estratégico, considerando que possui aproximadamente 45 mil clientes no segmento de varejo, com uma participação de mercado de quase 43%. Além disso, eles destacaram que um parceiro poderia ajudar nessa monetização de base por meio de um produto de pagamentos – ou mesmo em outras possibilidades.

"Embora seu negócio principal tenha enfrentado alguns desafios nos últimos trimestres, especialmente em relação ao crescimento, a base de clientes da empresa oferece uma oportunidade atraente para monetização, além de apenas a receita de software", afirmaram em relatório a clientes.

Já do lado da StoneCo, a equipe do Bradesco BBI avalia que, embora não tenham nenhum detalhe específico sobre a transação, a companhia atualmente tem 531 mil comerciantes em sua base de clientes (segundo dados do primeiro trimestre), e a Linx poderia somar cerca de 170 mil.

Os analistas ponderam, no entanto, que um dos caminhos de crescimento mais promissores é a distribuição de serviços financeiros digitais, como crédito e seguros fornecidos por terceiros. 

"Se essa transação com a Linx é apenas um trampolim para que isso seja possível, ótimo. Se, no entanto, a ideia for apenas replicar de forma integrada o modelo com ISVs (fornecedores independentes de software) visto nos Estados Unidos e em outros países, as perspectivas seriam menos promissoras, a nosso ver."

Guerra das maquininhas

A junção das duas empresas poderiam mudar o capítulo da guerra das maquininhas. Cada vez mais, as empresas de meios de pagamento estão tentando se diferenciar pelos serviços prestados para os seus clientes. Não por acaso, diversas empresas estão apostando na aproximação com outros players, como foi o caso da Cielo, líder de mercado, em uma parceria com o WhatsApp.

As empresas, inseridas num ambiente extremamente competitivo, trazem cada vez mais inovação – traduzida em novas ferramentas e possibilidades para o cliente que consegue acompanhar estes avanços.

Como a Linx é uma empresa especializada em softwares para gestão empresarial do varejo, a Stone teria acesso a essa tecnologia para trazer ainda mais soluções para os clientes – e vice-versa. A conferir. 

(*com informações da Reuters)

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook