Bolsonaro admite que 'a ideia de furar o teto existe' e critica reação negativa


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
13 de agosto de 2020 às 21:55 | Atualizado 13 de agosto de 2020 às 22:30

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu nesta quinta-feira (13), em sua live semanal pelas redes sociais, que a ideia de alterar o atual teto dos gastos públicos existe no governo. 

"A ideia de furar o teto existe. O pessoal debate, qual é o problema? Nós já furamos o teto em pelo menos 700 bilhões de reais, dá para furar mais 20? Se for para vírus, não tem problema nenhum. 'Ah, mas entendemos que água é para a mesma finalidade', então a gente pergunta", disse Bolsonaro.

O presidente afirma que o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz internamente que esse tipo de medida sinalizaria descontrole das contas públicas. "O Paulo Guedes fala que está sinalizando para a economia que está furando o teto, está dando um jeitinho", afirma.

Bolsonaro comentou a reunião que esteve na quarta-feira (12) com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ele disse ter sido "um grande passo, porque acalmou o mercado", mas criticou a reação negativa de investidores, que atribuiu à falta de "patriotismo".

"Foi uma discussão de pauta... que resolvemos não levar adiante. Mas alguém vazou, e todo mundo apanhou. Eu apanhei nessa questão. O mercado reage, dólar sobe, a bolsa cai. Mas o mercado tem que dar um tempinho também, né? Dar um tempinho também, um pouquinho de patriotismo não faz mal a ele, não ficar aí aceitando essa pilha", afirmou.

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Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante live semanal no Facebook

Foto: Reprodução/YouTube

Após a agenda com Maia e Alcolumbre, Bolsonaro se comprometeu com o teto dos gastos públicos. "Respeitamos o teto de gastos e queremos responsabilidade fiscal", afirmou.

Vazamentos

Bolsonaro também criticou vazamentos de medidas em planejamento do governo, com referência às informações de que seria feita uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a possibilidade de ampliar os gastos para além do teto. 

"Falou-se 'Vão fazer uma consulta ao TCU'. Vão fazer ou não vão? Não fizemos. Mas o pessoal vem como se estivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto, como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção de arranjar mais, em média, 20 bilhões, é água no Nordeste, saneamento, revitalização de rios, Minha Casa, Minha Vida", afirmou.

A reunião sobre a agenda econômica foi realizada depois que os rumores sobre furos ao teto de gastos se somaram às saídas dos secretários de Desestatização, Salim Mattar, e de Desburocratização, Paulo Uebel, por descontentamentos com o ritmo de tramitação de projetos liberais do governo.