Liberais ameaçam nova debandada, a depender dos substitutos de Salim e Uebel

Integrantes da equipe econômica aguardam escolhas de Paulo Guedes para definir o futuro

Por Igor Gadelha, CNN  
13 de agosto de 2020 às 08:06 | Atualizado 13 de agosto de 2020 às 10:34

Integrantes da ala mais liberal da equipe econômica ameaçam também pedir demissão nas próximas semanas, a depender de quem o ministro Paulo Guedes escolher como substitutos dos ex-secretários Salim Mattar (Desestatização e Privatização) e Paulo Uebel (Desburocratização, Gestão e Governo Digital).

Nos bastidores, membros da equipe econômica ouvidos pela CNN afirmam que aguardarão as definições de Guedes para decidir seus futuros, mas admitem que a disposição é deixar o cargo, caso os escolhidos sejam representantes da máquina pública, em detrimento de pessoas com experiência no mercado.

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Ministro da Economia, Paulo Guedes
Foto: Adriano Machado/Reuters (09.mar.2020)

“Só tomarei decisão depois de ver os substitutos”, afirmou à CNN um secretário do Ministério da Economia próximo de Salim e Uebel. Segundo esse integrante da equipe econômica, Guedes está ciente da ameaça de nova debandada e, por isso, pretende tomar a decisão sobre os substitutos de forma “bem pensada”.

Como a coluna antecipou ainda na quarta-feira (12), após a debandada de Salim e Uebel, o ministro da Economia pretende fazer uma reestruturação na pasta. Uma das ideias é fundir as atuais secretarias especiais de Desestatização e Privatização e a do Programa de Parcerias de Investimentos, chefiada pela economista Martha Seillier.

Com as mudanças, dois nomes são cotados para assumir a nova secretaria especial: o da própria Martha Seillier e o de Daniella Marques, assessora especial do Ministério da Economia. Daniella é considerada o braço direito de Guedes na pasta e vista pelo ministro como uma espécie de “coringa” na equipe econômica. 

Já para a vaga de Uebel há três cotados. Um deles é Wagner Lenhart, atual secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do ministério. O nome dele foi indicado pelo próprio Uebel. Os outros são Gleisson Rubin, secretário-adjunto de Desburocratização, e Caio Paes de Andrade, presidente do Serpro, empresa pública de tecnologia da informação.