A ação do Magazine Luiza está cara? Balanço surpreende e papel dispara (de novo)


Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo
18 de agosto de 2020 às 15:05 | Atualizado 18 de agosto de 2020 às 16:08

As ações do Magazine Luiza (MGLU3) seguem, dia após dia, renovando sua máxima histórica. E tudo indica que os papéis da varejista continuarão ficando mais caros futuramente. Isto porque o Magalu apresentou resultados fortíssimos no segundo trimestre, com as vendas pela internet crescendo 182%. 

Além do online, responsável por 80% das receitas da empresa no período, as lojas físicas tiveram um desempenho surpreendente: houve crescimento de 25% nas vendas, mesmo com 36% das lojas fechadas, em média. 

Isso fez com que os papéis do Magalu listados na B3 disparassem nesta terça-feira. Por volta das 14h10, o MGLU3 era o ativo de maior destaque da bolsa, com valorização de 7,64%. 

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Fachada de loja do Magazine Luiza (Magalu)

Fachada de loja do Magazine Luiza

Foto: Divulgação

Nos últimos anos, as ações da varejista fundada por Luiza Helena Trajano se valorizaram – muito – à medida que a empresa foi se destacando como um dos principais players do e-commerce brasileiro. Em 18 de agosto de 2017, era possível comprar uma fatia no Magazine Luiza por R$ 7,16. Considerando o valor de fechamento desta segunda-feira – R$ 81,65 – o crescimento foi de 1.040%

Agora, no pior momento da crise, a companhia mostrou, mais uma vez, sua força na internet e converteu 700 de suas 1.100 lojas físicas em centros de distribuição para o e-commerce, o que permitiu que a companhia cortasse custos com fretes e entregasse os produtos rapidamente.

E a estratégia deu certo: no segundo trimestre, 35% das vendas online foram entregues dentro de 24 horas. Em março, a participação das entregas rápidas era de apenas 5%. 

Magalu Superestimado? 

Há quem diga que as ações do Magazine Luiza estão caras. Só em 2020, houve valorização de 71,5% do ativo Magazine Luiza na B3, a despeito da forte crise econômica provocada pelo novo coronavírus. 

Mesmo com resultados robustos no segundo trimestre, os principais bancos de investimentos não elevaram muito o preço alvo das ações da empresa. 

Na segunda-feira, antes da divulgação dos resultados, as ações fecharam o dia a R$ 81,65. Para o Bradesco BBI, o preço alvo do papel é R$ 82. O BTG Pactual é um pouco mais otimista e fixa o preço alvo em R$ 91 dentro de 12 meses. 

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, diz que o argumento de que o Magazine Luiza é superestimado é refutado cada vez que a companhia divulga um balanço trimestral.

“Você tem o mercado precificando o papel de acordo com os resultados, que sempre surpreendem”. Para ele, há três anos, ninguém imaginava que o Magazine Luiza entregaria tanto via marketplace e vendas diretas como fez no último trimestre. 

Para Esteter e para os bancos de investimento que divulgaram relatórios sobre os resultados do Magalu, o preço das ações está próximo do que é justo. Além de Bradesco BBI e BTG Pacutal, o GrupoPlural fixou preço alvo da ação, mas foi mais conservador e definiu como preço justo para os próximos 12 meses R$ 79. 

“Acredito na estabilização do preço, mas a companhia sempre surpreende e isso, no longo prazo, pode fazer com que o papel suba”, diz Esteter. 

Para o mercado em geral, os resultados do segundo trimestre foram muito aguardados para que os investidores conseguissem avaliar a resiliência das empresas em meio à crise. 

Claro que alguns setores sofreram mais que outros e, no caso do Magalu, o e-commerce foi beneficiado por lojas fechadas e consumidores adquirindo o hábito de comprar online. Mas os números divulgados pela varejista (ou empresa de tecnologia, como muitos já dizem), mostram que há muito espaço para crescimento. 

O número de usuários ativos da plataforma mais que dobrou na comparação com o segundo trimestre do ano passado e superou os 30 milhões. Ao mesmo tempo que a demanda cresceu, a oferta acompanhou o ritmo e os vendedores do marketplace agora são 32 mil, contra 26 mil no primeiro trimestre. 

Além disso, a capacidade da empresa de entregar rapidamente os produtos ainda deve crescer, já que mais de 400 lojas da empresa ainda não se tornaram centros de distribuição para o e-commerce. 

E na última divulgação de resultados, a empresa comandada por Frederico Trajano deixou pistas de que os números do terceiro trimestre também serão positivos: em julho, as vendas totais cresceram 82% na comparação anual. Para efeito de comparação, as vendas totais do segundo trimestre avançaram 49%. 

Então, as afirmações de que a ação da empresa está no seu valor justo podem, mais uma vez, cair por terra no segundo trimestre. Afinal, o que a varejista mais tem feito nos últimos anos é surpreender o mercado – que sempre fica especulando qual ação será a próxima Magazine Luiza. O que o tempo tem mostrado, no entanto, é que o papel do Magazine Luiza, cada vez mais, é o novo Magazine Luiza.

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