Trabalho temporário pode ter quase 2 milhões de novas vagas em 2020

Aumento de contratações pela modalidade é reflexo do receio de empresas de assumir custos de contratação em um cenário cheio de incertezas

Thais Herédia, da CNN
Pessoas usam máscaras ao caminhar nas ruas em São Paulo
Mercado de trabalho amplia número de pessoas com contratos temporários em meio à pandemia  • Foto: CNN (30.jun.2020)
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Passados cinco meses do início da pandemia ainda não está claro o que pode acontecer no mercado de trabalho. Enquanto as estatísticas fiscais não conseguem captar a realidade, há uma modalidade de emprego que cresce rapidamente e pode chegar a 1,9 milhão de vagas em 2020. O trabalho temporário passou a ser uma opção para muitas empresas receosas em assumir o custo de empregar num cenário de tanta incerteza. 

A previsão de alta de 28% da geração de vagas nesta categoria é da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM). Segundo a entidade, a pandemia provocou uma inversão na sazonalidade da geração de vagas temporárias. Historicamente, é no segundo semestre que acontece o maior volume de contratações por causa das datas mais importantes para o comércio e a indústria, como Dia das Crianças e Natal. 

Em 2020, houve 1 milhão de novos contratos entre janeiro e julho. Agora no segundo semestre, outras 900 mil vagas devem se concretizar. Para a Asserttem, a indústria deve liderar o processo, marcando outra diferença com anos anteriores, quando o varejo gerou mais demanda. 

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“Agora durante a pandemia, 20% a mais de empresas passaram a usar o trabalho temporário. Há muita insegurança com futuro e, ao mesmo tempo, emergência de encomendas, necessidade por uma força tarefa ou até mesmo de substituição de quem acabou pegando o vírus”, disse à CNN Marcos de Abreu, presidente da ASSERTTEM. 

A taxa de conversão para permanência no emprego tem sido, em média, de 15%. Para o presidente da associação, ela deve se manter agora na pandemia, mas ainda é cedo para dizer. A incerteza com o ritmo da retomada e também de sobrevivência de empresas até o final do ano atrapalha formação de cenários. 

Os setores que mais demandaram trabalhadores temporários no primeiro semestre foram as áreas médica, de logística, alimentícia, agro e tecnologia. O varejo pode ter alguma alta no final do ano, com a chegada das datas comemorativas, mas vai depender da recuperação da demanda e da presença dos consumidores nas lojas físicas. 

No ano passado, o governo editou um decreto para regularizar o trabalho temporário. 

A regulamentação esclareceu e deu mais segurança às duas pontas dessa relação: empresas e trabalhadores. A lei necessitava de atualização e de uma distinção mais clara sobre o regime temporário e outras categorias que convivem no mercado, como o terceirizado e o intermitente. 

O Brasil é apontado como um dos países que mais contrata temporários no mundo, mas ainda é pouco para o tamanho da nossa economia. A média entre 2014 e 2018 rodou perto de 1 milhão de pessoas por ano. No ano passado, depois da edição do decreto, a geração de vagas acelerou, levando a um crescimento de 20% dos temporários. 

Os dados sobre esse mercado específico são poucos e superficiais. Mesmo garantidos os direitos dos celetistas e com registro na carteira de trabalho, os temporários não estão sob a CLT e por isso não são lançados no Caged, o cadastro oficial de empregos formais.

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