Crise da Covid-19 deve levar 3,8 milhões de domicílios às classes D e E

Os impactos negativos da pandemia no mercado de trabalho também devem atingir parte importante da classe média

Henrique Andrade, da CNN, em São Paulo*
25 de agosto de 2020 às 19:09 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 20:52

A crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus deve afetar ainda mais a população mais pobre do Brasil. Segundo estudo da consultoria Tendências, mais de 3,8 milhões de domicílios brasileiros devem ser empurrados para as classes D e E já neste ano. Nestas duas classes, estão as residências com renda de até R$ 2.564 por mês.

De acordo com a consultoria, o desemprego dos menos escolarizados é o principal fator de ampliação das classes mais pobres no Brasil. Os impactos negativos da pandemia no mercado de trabalho devem atingir parte importante da classe média, com grande participação na composição de massa de renda total, que não foi auxiliada inicialmente pelos programas de auxílio do governo.

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O impacto da pandemia no setor de serviços também é responsável pelo agravamento da crise social. Cerca de 84% dos ocupados do setor são das classes C e D/E, além de 42% da área com escolaridade somente até o ensino médio.

Segundo o estudo, as classes D/E serão as únicas ampliadas em 2020. Cerca de 260 mil domicílios devem deixar a classe A, enquanto 672 mil sairão da classe B e cerca de 1,8 milhão serão empurrados para fora da classe C.

A análise da Tendências aponta que o auxílio emergencial está freando a queda dos rendimentos totais das classes sociais mais pobres. Com o fim do repasse governamental, a situação das classes D e E deve piorar em 2021 pois, segundo a empresa de pesquisa, 57% da população mais pobre trabalha na informalidade, o que deve prejudicar a recuperação de renda do próximo ano.

* sob supervisão de Giovanna Bronze 

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