Inadimplência tem mínima recorde em julho apesar da crise por Covid-19, diz BC


Marcela Ayres, da Reuters
28 de agosto de 2020 às 12:35
Banco Central

Prédio do Banco Central em Brasília

Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

Apesar da crise com o coronavírus e do temor generalizado dos bancos acerca de calotes, a inadimplência no Brasil caiu a uma mínima recorde em julho de 3,5%, dado que abarca o segmento de recursos livres, em que as taxas são definidas livremente pelas instituições financeiras.

No mesmo mês do ano passado, a inadimplência havia sido de 4,0%, apontou o Banco Central nesta sexta-feira (28). Já em junho deste ano o percentual foi de 3,7%.

A inadimplência de 3,5% é a menor da série histórica do BC iniciada em março de 2011, e vem em meio à forte recomposição de renda proporcionada pelo programa de auxílio emergencial, que desde abril concede um benefício de R$ 600 a informais e vulneráveis. 

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Após ser prorrogado por mais dois meses, o programa termina em agosto, mas o presidente Jair Bolsonaro já afirmou que irá ampliá-lo até dezembro, embora a um valor menor.

Em relação ao custo dos financiamentos no país, os juros médios seguiram em trajetória cadente em julho, a 27,3% ao ano, contra 28,2% no mês anterior, também no segmento de recursos livres.

O spread, que mede a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada a seus clientes, recuou no mesmo segmento a 23,0 pontos percentuais, de 23,7 pontos em junho.

Aumento de estoque

Segundo o BC, o estoque total de crédito no Brasil subiu 1% em julho sobre junho, acelerando o ritmo diante das operações voltadas a empresas e passando a R$ 3,666 trilhões.

Com isso, o saldo total de financiamentos no país avançou a 51,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as pessoas jurídicas, o aumento foi de 1,2% no mês e de 15,0% no acumulado em 12 meses, destacou o BC. Nos 12 meses até junho, esse crescimento havia sido de 11,8%.

Já entre as pessoas físicas, houve expansão de 0,9% no crédito em julho e de 8,5% em 12 meses, mesmo percentual registrado no acumulado até o mês anterior.

Em nota, o BC destacou que, olhando apenas para o crédito livre, em que as taxas de juros são fixadas livremente pelas instituições financeiras, houve elevação para as pessoas jurídicas de 0,5% em julho e de 26,1% em 12 meses, com destaque para as operações de capital de giro, especialmente com prazo superior a um ano.

No crédito direcionado às empresas, a alta foi de 2,5% no mês, ajudada pelas contratações fechadas no âmbito do Pronampe, programa do governo de concessão de garantias para empréstimos a micro e pequenas empresas. Em 12 meses, houve retração de 0,3%, complementou o BC.

No crédito livre para famílias, o BC chamou a atenção para as altas observadas em julho no cartão de crédito à vista (+5,1%), crédito pessoal consignado (+1,1%) e em financiamento de veículos (+0,6%).

De janeiro a julho, a alta geral no crédito no país foi de 5,4% e, em 12 meses, de 11,3%.

Para 2020, o BC havia previsto em junho um crescimento do crédito de 7,6%, puxado pelos financiamentos às empresas em função da necessidade de caixa diante da queda nas vendas em meio à pandemia de coronavírus.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem dito que o crédito é um importante componente na definição do formato da retomada econômica no pós-coronavírus e que a experiência de outros países tem mostrado isso.

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