Neon deve ir às compras após aporte de R$ 1,6 bilhão de fundos de investimento


Natália Flach, do CNN Brasil Business, de São Paulo
03 de setembro de 2020 às 19:21 | Atualizado 03 de setembro de 2020 às 19:24

Um cheque de US$ 300 milhões permitirá que a fintech Neon Pagamentos faça novas aquisições, menos de dois meses depois de anunciar a compra da corretora Magliano, operação que ainda aguarda aval do Banco Central. A rodada de investimentos, equivalente a quase R$ 1,6 bilhão, foi liderada pelo fundo de investimentos General Atlantic.

“Como toda empresa capitalizada, estamos sempre de olho em oportunidades de M&A [fusões e aquisições, em inglês] que possam aparecer”, afirma Jean Sigrist, presidente da Neon ao CNN Brasil Business.

O banco digital, que não divulga seu valor de mercado (chamado de valuation, no termo em inglês), também vai usar parte do dinheiro para fazer novas contratações — apenas no ano passado foram contratados 500 dos atuais 750 colaboradores —, além de investir no desenvolvimento de produtos e tecnologia.

A ideia é expandir a concessão de crédito para os cerca de 9 milhões de correntistas com empréstimos pessoais e cartões de crédito.

Curiosamente, a crise levou os brasileiros a fazer uma gestão melhor do dinheiro.

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"Imaginávamos que veríamos uma redução nos saldos e nos investimentos, mas foi o contrário. Houve um aumento do saldo médio do nosso cliente, aumento dos depósitos à vista e um aumento dos depósitos a prazo, no sentido de ter uma estratégia de liquidez para enfrentar períodos mais duros.”

Isso ajuda a explicar por que a inadimplência não aumentou na Neon e, consequentemente, não exigiu da fintech um colchão maior contra possiveis calotes. “As nossas provisões para perdas ficaram muito estáveis, com variações pequenas, e já voltaram ao normal. Hoje, estão até melhores do que no período pré-pandemia.”

Confira a entrevista na íntegra no vídeo.