Apple 'imita' Amazon, faz pacote de streaming e irrita (muito) o Spotify


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
15 de setembro de 2020 às 20:20 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 13:39

Apesar dos holofotes estarem para o lançamento do novo Apple Watch, a Apple lançou um produto que pode mudar o mercado de streaming no mundo. É claro que diversas empresas estão lançando produtos similares, como Disney e o seu Disney+, mas o que chama a atenção da empresa fundada por Steve Jobs é a reunião de diversos produtos em um só pacote – e com um preço bem acessível.

Por menos de US$ 30 por mês, uma pessoa pode ter acesso ao TV+ (streaming de séries e filmes), o Apple Music (streaming de músicas), o Apple Arcade (pacote para jogos de celulares), mais espaço de armazenamento na nuvem do iCloud, além de assinaturas de jornais e revistas.

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Para completar, a companhia lançou o Apple Fitness Plus, que entra para competir com os aplicativos de exercícios, que ganharam vários adeptos durante a pandemia.

Todos esses serviços estão no pacote premium. Portanto, é possível pagar até menos nos planos individual e familiar – US$ 14,95 e US$ 19,95, respectivamente – mas isso também representará menos serviços (TV+, Music, Arcade e iCloud).

Apple One preços Brasil

 

Foto: Apple/Divulgação

O serviço, aliás, deve chegar ao Brasil este ano. E já existe até mesmo preço: R$ 26,50 no plano individual e R$ 37,90 no familiar. Os serviços, no entanto, se restringirão apenas ao Music, TV+, Arcade e iCloud. 

Spotify se irrita 

Esse tipo de estratégia já tinha sido adotada pela Amazon, que reuniu diversos serviços em uma só assinatura. Aqui no Brasil, por exemplo, por R$ 9,90 é possível ter acesso a serviços como frete grátis na loja da Amazon, o streaming de vídeo Amazon Music 

Com essa jogada, a Apple entra ainda mais de cabeça na disputa pelo streaming e começa a incomodar empresas Netflix e Spotify. E muito, aliás.

Em comunicado enviado ao CNN Business, o Spotify afirmou que a Apple está usando sua posição dominante para praticar preços injustos. Dessa maneira, segundo o aplicativo de música, as pessoas largariam os seus serviços preferidos (no caso, o Spotify) de olho no preço do "combo".

"Nós estamos pedindo para as autoridades agirem urgentemente contra esse comportamento anti-concorrencial da Apple. Isso causará danos irreparáveis à comunidade de desenvolvedores e ameaçará nossa liberdade coletiva de ouvir, aprender, criar e conectar", disse a nota.

Segundo o site Statista, a Apple e o Spotify são os líderes em serviço de streaming nos Estados Unidos com 44,5 milhões e 44,2 milhões de assinantes, respectivamente. No mundo, no entanto, a diferença é grande: 138 milhões de assinantes contra cerca de 72 milhões da Apple.

No ano passado, o streaming de música movimentou US$ 11,4 bilhões.

No caso da Netflix, a empresa ainda está bem à frente da Apple. Em todo o planeta, Netflix está próxima de 200 milhões de assinantes e a Apple só deve alcançar os 100 milhões em 2025, segundo estimativas do banco JP Morgan. Quem sabe com esse empurrão do pacote, ela consiga alcançar esse número antes (mas com bem menos margem de lucro, é claro). 

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