Equipe econômica mantém novamente projeção para recessão econômica em 4,7%

Se confirmado, será o maior tombo da série histórica do indicador

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
15 de setembro de 2020 às 11:14 | Atualizado 15 de setembro de 2020 às 12:05
Equipe econômica: indicadores econômicos sugerem forte retomada da atividade no terceiro trimestre
Foto: Marcos Corrêa/PR (01.set.2020)

O ministério da Economia manteve novamente a projeção oficial de queda de 4,7% para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A estimativa é a mesma que a calculada pela pasta em maio, também mantida em julho. Se confirmado, será o maior tombo da série histórica do indicador.

O dado foi publicado nesta terça-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) no Boletim MacroFiscal. Segundo o documento, indicadores econômicos sugerem forte retomada da atividade no terceiro trimestre, apesar da queda recorde de 9,7% registrada no segundo trimestre.

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"Esses indicadores mostram que a retomada econômica continua ganhando tração nos meses de julho e agosto", informa. Na avaliação da equipe econômica, a indústria e o comércio devem ser o motor da atividade econômica no terceiro trimestre. "Já o protagonismo dos serviços deverá ficar evidente nos últimos meses de 2020."

Após o tombo no semestre passado, a equipe econômica espera que um avanço de 7,3% no PIB do terceiro trimestre acelere a forte recuperação econômica na saída da crise. A expectativa é que essa alta seja puxada por crescimentos de 10,7% na indústria e 7,8% no setor de serviços. 

O secretário especial de Política Econômica, Adolfo Sachsida, voltou a dizer que recuperação econômica do Brasil está surpreendendo. "Apesar de estar severa, a crise está muito menos severa do que muitos previram no início da pandemia", disse. 

A projeção da equipe econômica do governo federal é mais otimista do que a do mercado financeiro, que espera queda de 5,11%, de acordo com o Boletim Focus. As organizações internacionais são ainda mais pessimistas: o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, ainda esperam tombo de 8% e 9,1%, respectivamente, para a economia brasileira em 2020. 

O governo espera ainda uma recuperação acelerada no ano que vem, com projeção de crescimento de 3,20% na atividade econômica em 2021. A previsão é a mesma que as estimadas em maio e julho. Para 2022, a expectativa de alta do PIB passou de 2,60% para 2,50%. 

Inflação 

O Boletim trouxe revisão ainda da projeção para a inflação de 2020. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que calcula a alta de preços, passou de 1,58% para 1,83%. 

Sachsida destacou que a revisão vem como reflexo da alta nos preços dos alimentos. "Quero destacar que essa alta é localizada e transitória. A inflação como um todo continua extremamente comportada, o que reflete o excelente trabalho do Bc no combate a inflação", ressaltou. 

Mesmo com a revisão, o número segue abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual, ou seja, podendo variar de 2,50% a 5,50%. 

A pasta atualizou ainda a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que serve de base para a correção do salário mínimo. A estimativa passou de alta de 2,01% para 2,35% neste ano.

Além disso, a previsão para o desempenho do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2020 saltou de alta de 6,58% para 13,02%.

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