Ibovespa fecha em queda e dólar dispara com tensão nos mercados internacionais

França volta a ter recorde de casos do novo coronavírus e cidades decidem fechar escolas

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
18 de setembro de 2020 às 09:15 | Atualizado 18 de setembro de 2020 às 17:54
Bolsa: incertezas acendem sinal amarelo nos mercados
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A semana chega ao fim com novas preocupações nos mercados internacionais sobre o ressurgimento do coronavírus em vários países, bem como decepção dos investidores por bancos centrais terem apenas reafirmado seu suporte monetário nesta semana, sem prometer novos estímulos. 

Por conta disso e por causa dos dados desanimadores sobre pedidos de auxílio desemprego nos EUA, divulgados na véspera, o Ibovespa abriu o pregão em queda e a desvalorização se acentuou ao longo do dia. Com isso, o índice fechou a sexta-feira em queda de 1,8% para 98.291,53 pontos.

O dólar disparou nesta sexta-feira, registrando a maior alta diária em quase três meses, com o sentimento de investidores abalado por intenso nervosismo no mercado de juros futuros diante de maior desconfiança em relação à postura do Banco Central num contexto de fiscal deteriorado.

O dólar à vista fechou em alta de 2,77%, a R$ 5,3767 na venda – maior valorização diária desde 24 de junho (+3,33%).

Entre os destaques, estão as ações do Magazine Luiza que aprovou o desdobramento de seus papéis. Com a operação que tende a dar mais liquidez às negociações (pois torna cada ação mais barata). Os papéis do Magalu (MGLU3) fecharam entre as poucas (três) altas do dia, com valorização de 0,07%. 

Ao mesmo tempo, o ressurgimento dos caso de coronavírus no mundo provocavam temores em relação à recuperação global. A França registrou um recorde de 10.593 novos casos confirmados na véspera, maior número diário desde que a pandemia começou, enquanto discussões sobre um segundo lockdown surgiram no Reino Unido.

O Federal Reserve prometeu manter os juros baixos por um longo tempo, mas não deu novas indicações sobre qualquer suporte monetário. O banco do Japão e o da Inglaterra mostram-se mais abertos a novos estímulos, mas também não tomaram medidas. Na Rússia, a autoridade manteve a taxa em 4,25%.

No Brasil, o Banco Central sinalizou que o juro básico permanecerá em 2% nos próximos vários meses. O BC elevou a barra para mais redução da Selic, embora não tenha fechado completamente a porta para esse movimento.

Bolsas internacionais

Em Wall Street, fecharam a semana em queda. O Nasdaq, que teve o pior desempenho da semana, caiu 1,3%. O S&P 500 teve devalorização de 1,12 % e o Dow Jones perdeu 0,88%. 

Os mercados de ações europeus fecharam em baixa nesta sexta-feira, com as ações de viagens, bancos e automóveis liderando as perdas, uma vez que o ressurgimento de casos de coronavírus em todo o continente reacendeu temores sobre o impacto da pandemia na recuperação econômica nascente.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,62%, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,66%.

Os índices acionários da China fecharam em alta, liderados pelo setor financeiro diante de expectativas de novas medidas de suporte para impulsionar a economia. O CSI300 subiu 2,25%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 2,07%. Na semana, tanto o CSI300 quanto o SSEC ganharam 2,4%, interrompendo duas semanas de perdas.

Resumo da semana

A bolsa paulista engatou a terceira semana consecutiva com sinal negativo, mesmo que discreto, nesta sexta-feira, quando o Ibovespa fechou novamente no patamar dos 98 mil pontos, reflexo da piora em Wall Street e desconforto com a cena fiscal no país.

O temor por uma nova onde de Covid-19 voltou a assombrar o mercado financeiro e fez a semana terminar com quedas expressivas em bolsas de todo o mundo. A semana também teve o Ibovespa com idas e vindas ao patamar simbólico dos 100 mil pontos. 

A semana começou com um sentimento sobre a pandemia de Covid-19 oposto ao observado no fechamento: otimismo. Na segunda-feira, os investidores estavam animados com o desenvolvimento de uma vacina contra a doença que mata milhares de pessoas diariamente. 

No cenário corporativo, o destaque ficou por conta das empresas de educação Ser Educacional e Yduqs, que começaram uma disputa pela compra da operação da Laureate no Brasil. Mais tarde, a Cruzeiro do Sul também entrou na briga. 

Na terça, o assunto foi a desistência do governo federal de criar o Renda Brasil. Nesse dia, as ações ligadas ao varejo sofreram – Magazine Luiza (MGLU3), Hering (HGTX3), Lojas Renner (LREN3) e B2W (BTOW3) tiveram queda. 

As decisões sobre o futuro das políticas monetárias do Brasil e Estados Unidos foram anunciadas no meio da semana. Os bancos centrais dos países decidiram manter intactas as taxas de juros. Na quarta, o Ibovespa perdia, mais uma vez, os 100 mil pontos.

Para Daniel Miraglia, especialista em mercados de capital global da Omninvest, a semana pode ser dividida em duas partes: antes e depois da reunião do Federal Reserve. “Antes da reunião do Fed, mercados de risco ganharam alguma compra, recuperando parte das perdas da semana anterior. Depois da reunião do Fed, mercados de risco voltaram a apresentar maior volatilidade e devolveram os ganhos pré Fed

Na quinta, o principal índice acionário do Brasil recuperou os 100 mil pontos, apesar de um cenário desfavorável no exterior. Isso porque Vale e Petrobras puxaram o índice para cima com investidores animados com dividendos da mineradora e aumento nos preços do petróleo. Entre os destaques, estão as ações da Ambev (ABEV3) subiram mais de 5%, em meio a perspectivas de melhora nos volumes no terceiro trimestre.

(Com Reuters)

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